A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou nesta segunda-feira (25), a suspensão do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pesquisa que coordena com cientistas em 100 países.
Os dois medicamentos utilizados no combate a malária e lúpus passaram a ser empregados em alguns protocolos com pacientes de Covid-19, por recomendação do pesquisador francês Didier Raoult.
Ele disse ter obtido bons resultados com pacientes de Covid-19 com uso da hidroxicloroquina associada ao antibiótico azitromicina.
A OMS destacou, no entanto, que a suspensão temporária na pesquisas foi deliberada até que a segurança da droga seja reavaliada, já que estudos recentes mostraram que não apresentou eficácia contra a Covid-19. Em alguns casos provocou riscos de aumentar a taxa de mortalidade.
O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, explicou que suspensão foi determinada após a divulgação dos resultados de um estudo na revista científica The Lancet, na sexta-feira (22).
De acordo com a publicação, uma pesquisa com 96 mil pacientes apontou que não houve eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina contra a Covid-19, além de detectar riscos de arritmia cardíaca nos pacientes que a utilizavam.
A OMS já havia manifestado sua posição contrária ao uso amplo da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19. Ainda assim, o Brasil passou a orientar o uso do medicamento em pacientes com quadros leves.
A hidroxicloroquina e cloroquina, a partir dos estudos divulgados pelo pesquisador francês, passaram a ser propagados pelo presidente dos EUA Donald Trump, e Jair Bolsonaro no Brasil, como solução para conter a Covid-19.
Só que os estudos que embasaram o uso dessas substâncias foram amplamente questionados pela comunidade científica internacional, em função de várias falhas e incongruências. Depois da repercussão negativa, o próprio pesquisador recuou.








