O envio da Guarda Nacional para diversas cidades americanas pelo presidente Donald Trump reacendeu uma disputa política e jurídica nos Estados Unidos. O republicano afirma que as tropas são necessárias para conter a violência em centros urbanos administrados por democratas e para reforçar operações de imigração. No entanto, governadores estaduais têm contestado a medida, classificando-a como excessiva e até inconstitucional.
Nos últimos meses, a Casa Branca determinou deslocamentos para cidades como Los Angeles, Chicago e Portland, apesar da resistência local. A Califórnia chegou a entrar com ações contra o governo federal, argumentando que o uso da Guarda violava a Lei Posse Comitatus, que restringe o emprego de forças militares em assuntos domésticos. Em alguns casos, como no Oregon, decisões judiciais suspenderam temporariamente a mobilização ordenada por Trump.
A Guarda Nacional, formada por tropas estaduais, costuma ser acionada em situações emergenciais como desastres naturais e grandes manifestações. Normalmente, sua ativação depende dos governadores, mas a lei americana prevê que o presidente pode assumir o controle em casos de ameaça de invasão, rebelião ou perigo à segurança nacional. Foi com base nesse dispositivo que Trump colocou sob sua autoridade cerca de 2 mil membros da força para apoiar operações de deportação.
O envio para Portland, em particular, acirrou o embate. Após protestos contra a imigração em massa nas imediações da agência de imigração (ICE), Trump justificou que a cidade estava em “colapso”. A governadora democrata Tina Kotek contestou a narrativa, negando que houvesse insurreição ou risco à segurança nacional. Uma juíza federal, inclusive indicada pelo próprio Trump, bloqueou a decisão presidencial de federalizar a Guarda no Oregon, reforçando que o país é governado por leis constitucionais, não por decretos militares.
Enquanto as batalhas judiciais avançam, Trump mantém a estratégia de usar a Guarda Nacional como ferramenta política, alimentando a tensão entre a Casa Branca e governadores democratas. O impasse deve se prolongar nos tribunais, com potenciais desdobramentos para a segurança interna e para o cenário eleitoral norte-americano.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








