Uma inundação repentina de grandes proporções atingiu nesta quarta-feira (26) a região montanhosa entre o Nepal e o Tibete, na China, destruindo comunidades, pontes, rodovias e instalações de energia.
Centenas de pessoas continuam desaparecidas, enquanto equipes de emergência trabalham para localizar sobreviventes em áreas de difícil acesso.
Os números ainda estão sendo atualizados e apresentam diferenças entre os balanços divulgados ao longo do dia. Informações oficiais citadas pela Associated Press apontavam pelo menos 95 mortes no Nepal e outras três no condado de Gyirong, no Tibete, totalizando 98 vítimas.
Levantamentos posteriores divulgados por veículos brasileiros chegaram a informar que 157 corpos haviam sido recuperados no Nepal, o que elevaria o total para pelo menos 160 mortos considerando as três vítimas confirmadas no lado chinês. Como as buscas continuam, os números permanecem sujeitos a revisão.
A tragédia atingiu principalmente áreas próximas aos rios Bhote Koshi e Trishuli. Casas foram tomadas pela lama, veículos acabaram soterrados ou arrastados e pontes desapareceram com a força da correnteza.
Centenas continuam desaparecidos
Além dos moradores das comunidades afetadas, turistas, peregrinos, trabalhadores e integrantes das forças de segurança estão entre as pessoas ainda não localizadas.
Um dos balanços divulgados pelas autoridades nepalesas indicava 484 viajantes desaparecidos no país, dos quais 391 eram estrangeiros e 93 nepaleses. No Tibete, autoridades chinesas informaram que pelo menos 265 pessoas continuavam desaparecidas em Gyirong.
A região recebe viajantes de diferentes partes do mundo e integra rotas utilizadas por turistas e peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash, no Tibete.
Entre os estrangeiros desaparecidos há cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Malásia, África do Sul e outros países. O governo da Coreia do Sul também informou que oito cidadãos sul-coreanos que trabalhavam em um projeto hidrelétrico estavam sem contato.
Itamaraty diz não haver registro de brasileiros entre vítimas
O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha os desdobramentos da tragédia por meio das representações diplomáticas brasileiras em Katmandu e Pequim.
Até a tarde desta quarta-feira, não havia registro de brasileiros entre as vítimas. O governo brasileiro manifestou pesar pelas mortes e solidariedade às famílias atingidas, ao Nepal e à China.
As embaixadas brasileiras permanecem responsáveis por prestar assistência consular caso cidadãos do país sejam identificados entre pessoas afetadas pela calamidade.
Resgate é dificultado pela destruição de estradas
A geografia do Himalaia e os danos provocados pela inundação estão entre os principais obstáculos enfrentados pelas equipes de emergência.
Helicópteros foram mobilizados pelo Exército do Nepal, mas o nível elevado dos rios chegou a impedir pousos em locais como Syapru Besi e Timure, no distrito de Rasuwa.
Estradas desapareceram sob a lama, pontes foram destruídas e diversos trechos ficaram inacessíveis. Imagens da região mostram construções parcialmente soterradas e veículos cercados por grandes volumes de sedimentos.
No lado chinês, o deslizamento atingiu o porto terrestre de Gyirong e provocou interrupções em estradas, sistemas de comunicação e fornecimento de energia na região de Shigatse.
Equipes chinesas também utilizam drones para avaliar os danos e organizar as operações de busca e salvamento.
Avalanche de gelo e rocha pode ter provocado desastre
As causas da inundação ainda são investigadas.
Uma das principais hipóteses aponta para uma avalanche de gelo e rochas que teria atingido um rio na região montanhosa, bloqueando temporariamente o curso da água. O rompimento dessa barreira natural poderia ter provocado uma onda repentina de água, lama e detritos em direção às áreas mais baixas.
Um terremoto de magnitude 4,4 foi detectado aproximadamente sete minutos antes do horário registrado nas imagens que mostram a chegada da inundação. Autoridades e especialistas analisam se o tremor teve relação direta com o desprendimento do material.
Uma análise preliminar de imagens de satélite também identificou sinais de um deslizamento envolvendo gelo e rochas na região do rio Lhende, próximo à fronteira entre Nepal e China. A investigação sobre a sequência exata dos acontecimentos continua.
Rios carregaram lama e destroços por quilômetros
O grande volume de material lançado nos rios transformou a correnteza em uma massa de água, pedras, árvores e lama capaz de atingir comunidades localizadas quilômetros abaixo da região onde teria ocorrido o desprendimento.
No Nepal, localidades próximas ao Bhote Koshi e ao Trishuli registraram destruição generalizada. Imagens mostraram casas tomadas pela lama, automóveis sendo levados pelas águas e estruturas inteiras desaparecendo durante a passagem da inundação.
Projetos hidrelétricos também foram danificados, afetando a produção e a distribuição de eletricidade em diferentes pontos do país.
Autoridades chegaram a emitir alertas para moradores próximos aos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani, diante da possibilidade de novas elevações do nível da água.
Himalaia concentra riscos de desastres em cadeia
A tragédia ocorre em uma região considerada especialmente vulnerável a avalanches, deslizamentos, enchentes repentinas e eventos relacionados a geleiras.
O Himalaia concentra vales estreitos, grandes diferenças de altitude, rios de forte correnteza e milhares de geleiras. Quando grandes volumes de gelo, pedras ou água são liberados repentinamente, comunidades localizadas abaixo das montanhas podem ter poucos minutos para reagir.
Especialistas também estudam como o aumento das temperaturas pode contribuir para mudanças na estabilidade das geleiras e para a expansão de lagos glaciais, ampliando o risco de eventos extremos na cordilheira.
Enquanto a causa exata do desastre desta quarta-feira continua sob análise, a prioridade permanece na localização dos desaparecidos e na retirada de moradores das áreas que ainda oferecem perigo.
Com centenas de pessoas sem paradeiro conhecido nos dois lados da fronteira, as autoridades alertam que o balanço da tragédia pode sofrer novas alterações à medida que as equipes consigam alcançar regiões até agora isoladas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








