A Federação Italiana de Editores de Jornais (FIEG) protocolou uma queixa formal junto à Agcom, autoridade reguladora de comunicações da Itália, pedindo uma investigação sobre as “Visões Gerais de IA” do Google — recurso que resume resultados de busca com textos gerados por inteligência artificial.
Segundo a entidade, o sistema vem atuando como um “assassino de tráfego”, ao exibir respostas completas no topo das páginas de busca e reduzir drasticamente o número de acessos aos sites jornalísticos.
A queixa integra um movimento coordenado pela Associação Europeia de Editores de Jornais, que busca pressionar a Comissão Europeia a abrir uma investigação com base na Lei dos Serviços Digitais da União Europeia (DSA).
Acusações contra o Google
A FIEG afirma que tanto as Visões Gerais de IA quanto o novo Modo IA, que compila informações de diferentes fontes em formato de chatbot, violam disposições fundamentais da legislação digital europeia.
Em comunicado, a federação declarou que o Google “está se tornando um assassino de tráfego”, prejudicando a sustentabilidade financeira da imprensa e comprometendo a pluralidade informativa.
“Esses produtos competem diretamente com o conteúdo jornalístico, reduzem a visibilidade das editoras e afetam as receitas de publicidade, o que ameaça a diversidade da mídia e favorece a desinformação”, destacou a nota.
Impactos comprovados em estudos
Um levantamento da empresa britânica Authoritas, publicado em julho, mostrou que o AI Overviews, lançado pelo Google em 2023, provocou redução de até 80% nos cliques nos resultados de busca.
O relatório também indicou que links do YouTube, plataforma controlada pela mesma empresa, passaram a ter maior destaque em relação aos resultados tradicionais.
Outro estudo, do Pew Research Center, nos Estados Unidos, constatou que usuários clicam em um link sob um resumo de IA apenas uma vez a cada 100 buscas.
O Google, porém, contesta os dados, alegando que os levantamentos apresentam falhas metodológicas e não refletem o comportamento real dos usuários.
Contexto europeu e regulação da IA
O recurso de IA Overviews foi lançado na Itália em março de 2024. Meses depois, o país se tornou o primeiro da União Europeia a aprovar uma lei nacional específica para regular o uso da inteligência artificial, impondo limites de acesso a menores de idade e penas de prisão para o uso indevido da tecnologia, como na criação de deepfakes.
O governo da primeira-ministra Giorgia Meloni descreveu a legislação como um marco para o uso responsável da IA, alinhado à Lei de Inteligência Artificial da União Europeia, que estabelece parâmetros éticos e de transparência no uso dessas tecnologias.
Com a pressão crescente, a Comissão Europeia pode ser chamada a analisar se o Google viola regras de concorrência e direitos autorais digitais.
Da Agência Fonte Exclusiva.








