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Economia, guerra e denúncias de corrupção pesam na derrota de Trump

Republicanos perderam o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato. Pesquisas apontam insatisfação dos eleitores com o custo de vida, a política externa e decisões do presidente.

redacao Por redacao
04/11/2026 - 15:00
em Mundo
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Entenda como o custo de vida, a guerra contra o Irã e as denúncias envolvendo a família Trump contribuíram para a derrota republicana nos EUA.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

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O resultado das urnas nos Estados Unidos revelou um cenário de desgaste para o governo de Donald Trump. Mesmo com o envolvimento direto do presidente na campanha republicana, os eleitores demonstraram insatisfação com diferentes decisões da Casa Branca. O aumento das despesas familiares, a ofensiva militar contra o Irã e as suspeitas de favorecimento financeiro envolvendo pessoas próximas ao presidente estão entre os fatores associados à perda de espaço dos republicanos no Congresso.

A derrota provocou uma mudança importante na correlação de forças políticas do país. Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, além de avançarem em disputas estaduais que tradicionalmente favoreciam os republicanos.

Entre os estados onde o partido conseguiu resultados expressivos estão Texas, Carolina do Sul, Kansas, Ohio e Iowa. No Texas, uma vitória democrata encerrou um período de 38 anos sem conquistas da legenda naquela disputa.

Os números de uma pesquisa realizada pela NBC News ajudam a dimensionar o descontentamento. Para 65% dos entrevistados, as políticas adotadas por Trump prejudicaram a economia norte-americana. Outros 62% atribuíram ao presidente a responsabilidade pelos preços elevados.

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A insatisfação também alcançou temas relacionados à tecnologia. Apesar de defender menos restrições para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), o governo enfrenta resistência de parte da população. Segundo o levantamento, 57% dos participantes acreditam que a tecnologia poderá causar mais prejuízos do que benefícios à sociedade. Já 76% rejeitam a instalação de data centers nas comunidades onde vivem.

Guerra contra o Irã e política migratória aumentaram a rejeição

As decisões de Trump no campo internacional também apareceram entre os motivos de insatisfação dos eleitores. A ofensiva militar contra o Irã foi considerada equivocada por 63% dos entrevistados pela NBC News.

Outro ponto de desgaste foi a política migratória. Para 57% dos participantes da pesquisa, as medidas adotadas pelo governo norte-americano para combater a imigração foram além do que deveria ser permitido.

As denúncias de corrupção e as suspeitas envolvendo integrantes da administração federal também ganharam espaço no debate eleitoral.

A professora de Relações Internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), avalia que muitos eleitores depositaram expectativas em Trump esperando que ele priorizasse os problemas enfrentados dentro do próprio país.

Segundo a pesquisadora, parte dos apoiadores esperava medidas capazes de aliviar o custo de vida e melhorar a situação financeira das famílias. Ela destaca que muitos trabalhadores precisam manter dois ou três empregos para conseguir pagar as contas, em um país onde os serviços de saúde são majoritariamente privados e podem representar despesas elevadas.

Negócios da família Trump também entraram no debate

As suspeitas de favorecimento financeiro envolvendo pessoas próximas ao presidente foram outro elemento que contribuiu para o desgaste republicano.

O professor de História da Universidade Brown, nos Estados Unidos, James N. Green, afirmou à Agência Brasil que o desempenho dos republicanos foi pior do que o esperado. Para ele, o resultado representa um momento importante para a influência política de Trump.

Green observa que as suspeitas de utilização do poder presidencial para beneficiar negócios da família ganharam relevância ao longo dos últimos meses. Na avaliação do professor, esse tipo de controvérsia provocou insatisfação inclusive entre eleitores que apoiaram o republicano anteriormente.

Trump enfrenta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e vantagens concedidas a empresas ligadas a seus familiares. Entre os episódios investigados e apontados em reportagens estão operações financeiras que poderiam ter sido beneficiadas pelo acesso antecipado a informações relevantes.

O jornal The New York Times recebeu o Prêmio Pulitzer de 2026 por reportagens relacionadas a conflitos de interesse e enriquecimento envolvendo integrantes do governo Trump.

Já uma investigação publicada pelo The Washington Post apontou que 15 empresas ligadas aos filhos do presidente receberam US$ 3,2 bilhões em contratos federais, em sua maioria depois que o republicano retornou à Casa Branca.

Green também questionou a prioridade dada pelo presidente a projetos de reforma da sede do governo enquanto dificuldades econômicas continuavam afetando a população. Para o professor, essa postura ajudou a reforçar a impressão de que Trump estava distante das preocupações cotidianas dos norte-americanos.

O professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, também relacionou o resultado eleitoral ao conjunto de decisões políticas, problemas econômicos e controvérsias envolvendo a administração republicana. Na análise dele, a guerra contra o Irã e o desgaste provocado por denúncias tiveram influência no desempenho do partido.

Aumento das despesas familiares virou problema político

O custo de vida, que já havia sido um dos assuntos centrais da eleição presidencial de 2024, voltou a ocupar espaço importante na política norte-americana. Na ocasião, a insatisfação com a gestão de Joe Biden contribuiu para o retorno de Trump à Presidência. Agora, o aumento das despesas passou a representar um desafio para o próprio governo republicano.

As tarifas aplicadas a produtos importados contribuíram para elevar os preços de mercadorias nos Estados Unidos. A pressão aumentou com a crise envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, que afetou o mercado internacional de petróleo e provocou alta nos combustíveis.

O encarecimento da gasolina e do diesel repercutiu nos custos de transporte e em diferentes atividades econômicas, ampliando a pressão sobre o orçamento doméstico.

James Green relatou à Agência Brasil que também percebeu o aumento expressivo dos preços, mesmo fazendo parte da classe média e tendo uma condição financeira confortável. Segundo ele, as tarifas comerciais e a guerra contra o Irã passaram a ser associadas por muitos eleitores às dificuldades econômicas enfrentadas no país.

Resultado pode influenciar o cenário político internacional

A mudança na composição do Congresso norte-americano também pode repercutir no debate político de outros países. Para especialistas, a derrota republicana oferece elementos para avaliar a reação do eleitorado a determinadas políticas adotadas por governos conservadores.

Paulo Borba Casella considera que o resultado pode servir de alerta para administrações de direita e extrema-direita que adotam medidas questionadas por seus possíveis impactos sobre minorias, liberdades individuais e direitos fundamentais.

Na avaliação do professor da USP, a votação pode refletir uma reação de parte da população a políticas consideradas autoritárias e conservadoras, que também ganharam espaço em países da América Latina.

A mudança, entretanto, não significa que a política de Trump será automaticamente alterada. Com os democratas controlando as duas Casas do Congresso, o presidente deverá enfrentar mais questionamentos, fiscalização e dificuldades para avançar com determinadas iniciativas.

Os próximos meses devem mostrar até que ponto a nova configuração legislativa será capaz de interferir nas decisões do Executivo e na condução da política econômica e internacional dos Estados Unidos.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #CongressoAmericano#CustoDeVida#DonaldTrump#EconomiaAmericana#EleicoesAmericanas#EstadosUnidos#GuerraContraOIran#InteligênciaArtificial#PolíticaInternacional#PolíticaMigratória#RelaçõesInternacionais#RepublicanosCorrupçãoDemocratasMundo
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