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Debate sobre terceira dose escancara dúvidas sobre imunidade contra a Covid-19

Avanço da variante Delta faz discussão ficar mais complexa e necessária

redacao Por redacao
21/07/2021 - 10:31
em Mundo
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Necessidade da terceira dose de vacina

Fabricantes de vacinas de RNA pressionarem pela aprovação de uma terceira dose de reforço (Foto: Divulgação)

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Uma das perguntas que continua sem resposta desde o início da pandemia de Covid-19 é: como funciona a imunização ao coronavírus? O avanço da variante Delta fez essa discussão ficar ao mesmo tempo ainda mais complexa e necessária. E se tornou também o álibi perfeito para fabricantes de vacinas de RNA, como a Pfizer, pressionarem pela aprovação de uma terceira dose de reforço, o que significaria uma enorme receita extra.

Para Carmen Cámara, imunologista do Hospital La Paz de Madrid e membro da Sociedade Espanhola de Imunologia (SEI), trata-se de um “movimento 100% comercial”:

— A Pfizer foi a primeira na corrida das vacinas e alcançou uma posição vantajosa que agora não quer perder. Isso não significa que no final você tenha que acabar colocando uma terceira dose, mas agora não há dados e não é hora de decidir.

O argumento científico utilizado pela Pfizer e sua parceira, a biofarmacêutica alemã BioNTech, é que eles observaram uma queda nos anticorpos contra o coronavírus entre seis e doze meses após a vacinação completa.

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Uma terceira dose multiplicaria entre cinco e dez vezes os níveis sanguíneos dessas proteínas, capazes de neutralizar o vírus. Os dados são de um ensaio clínico organizado pela própria empresa. Os resultados são preliminares, ainda sem revisão de especialistas independentes ou publicados em uma revista científica.

— O que importa agora é terminar todas as segundas doses nos países desenvolvidos e estender a vacinação ao resto do mundo com as vacinas mais adequadas para as suas circunstâncias, que serão da Janssen, AstraZeneca, Novavax ou outras. Essa deve ser a prioridade, e não é o que vai dar dinheiro à Pfizer — ressalta Cámara.

Outro argumento a favor da terceira dose vem de um estudo publicado há poucos dias que exemplifica um problema que o mundo enfrenta desde o início da pandemia. O trabalho mostrou que anticorpos de pessoas que receberam apenas uma dose da vacina não neutralizam completamente a variante Delta, enquanto duas doses o fazem.

Os dados foram coletados a partir de experimentos de laboratório — e não de casos reais — em que o vírus é cultivado em um recipiente e o sangue de vacinados ou curados da Covid-19 é adicionado para medir a capacidade de neutralização.

Desde o início da pandemia, a grande maioria dos estudos sobre imunidade tem se fixado nos anticorpos, o que é uma grande limitação, pois deixam de fora a atividade das células do sistema imunológico, principalmente os linfócitos, que compõem uma espécie de exército de elite no combate à doença.

— Estamos todos esperando para ver quão conclusivos são os dados sobre possíveis falhas da vacina —revela César Hernández, chefe do departamento de medicamentos de uso humano da Agência Espanhola de Medicamentos.

— Se esperarmos muitos para ter dados reais sobre os casos em que as vacinas falham, haverá mais pessoas expostas ao contágio, e se tomarmos a decisão muito cedo com base em uma variável indireta como o nível de anticorpos, podemos acabar dando mais uma dose para quem não precisa.

Antonio Bertoletti, da Universidade Duke (EUA), destaca que ainda não se sabe quais níveis de anticorpos e linfócitos são necessários para evitar infecções e doenças.

O imunologista publicou um dos estudos mostrando que, após uma infecção — e provavelmente também depois da vacinação —, uma pessoa gera dezenas de linfócitos diferentes. Cada um ataca uma parte muito específica do vírus, impedindo a formação de variantes.

— No caso do Sars (outro coronavírus que surgiu em 2002 e matou cerca de 800 pessoas), as células do sistema imunológico ainda estavam ativas 17 anos depois. Esses linfócitos de memória aparecem em níveis muito baixos no sangue, mas alguns deles encontram-se separados na medula óssea ou nos nódulos linfáticos, e estão sempre prontos para voltar à ação quando necessário.

A Organização Mundial da Saúde questionou se a terceira dose de vacina é realmente necessária e criticou o fato de estar sendo debatida agora, quando em grande parte dos países em desenvolvimento há milhões de pessoas que nem mesmo receberam a primeira injeção.

Manel Juan, chefe de imunologia do Hospital Clínico de Barcelona, tem uma abordagem fatalista quanto a à terceira dose:

— Será inevitavelmente aprovada devido ao medo de uma nova onda, onde as infecções continuam a crescer, embora não tenham grande impacto nas hospitalizações ou mortes. Muitas pessoas não tomarão a terceira dose, e então saberemos o seu real efeito. Portanto, quando as empresas farmacêuticas tentarem vender uma quarta dose, podem não ter sucesso.

As informações são de O Globo.

Tags: #Terceira dose de vacina#Variante Delta
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