O governo de Cuba voltou a internacionalizar o debate sobre o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos.
Nesta terça-feira (7), representantes cubanos participaram de uma sessão de urgência na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para defender o fim das sanções econômicas e denunciar o agravamento das restrições adotadas por Washington.
O encontro foi conduzido pelo ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, sob o tema “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba”. A realização do debate foi aprovada por 136 países durante votação na Assembleia Geral da ONU.
Em seu pronunciamento, Rodríguez afirmou que o embargo tem provocado impactos diretos sobre a população cubana e classificou as sanções como um mecanismo que compromete o desenvolvimento econômico e social da ilha. Segundo o chanceler, a comunidade internacional deve atuar de forma conjunta para pressionar pelo fim das medidas.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, também se manifestou sobre a votação. Em publicação nas redes sociais, agradeceu aos países que apoiaram a realização da sessão e afirmou que o resultado representa um posicionamento em defesa da justiça e do direito internacional.
Cuba denuncia impacto das sanções
Durante o debate, o governo cubano acusou os Estados Unidos de intensificarem as restrições econômicas nos últimos meses, afetando principalmente o abastecimento de combustíveis e o setor energético do país.
Segundo Bruno Rodríguez, sanções adicionais, medidas coercitivas e restrições impostas a embarcações que transportam petróleo para Cuba dificultam o fornecimento de energia e agravam a situação econômica enfrentada pela população.
O chanceler afirmou ainda que o país enfrenta uma “guerra multidimensional e não convencional”, sustentando que as medidas econômicas fazem parte de uma estratégia de pressão política contra o governo cubano.
Divergências entre Havana e Washington
Durante a sessão, o ministro contestou o posicionamento do governo norte-americano, que atribui a maior parte das dificuldades econômicas da ilha a fatores internos e considera as sanções um embargo unilateral.
Na avaliação de Havana, os efeitos das restrições ultrapassam o campo diplomático e afetam diretamente a economia, o comércio exterior e a qualidade de vida da população.
Segundo dados apresentados pelo governo cubano, entre março de 2025 e fevereiro de 2026 os prejuízos atribuídos ao embargo chegaram a aproximadamente US$ 8 bilhões, valor 7% superior ao registrado no período anterior.
Cuba estima ainda que, desde o início das sanções, as perdas econômicas acumuladas ultrapassam US$ 178 bilhões, sem incluir os impactos relacionados à crise energética.
Antes do início do debate, Bruno Rodríguez afirmou, por meio das redes sociais, que utilizaria a tribuna da ONU para denunciar o que classificou como políticas hostis dos Estados Unidos e reforçar o pedido para que Cuba possa desenvolver sua economia sem sanções, pressões externas ou ameaças à sua soberania.
*Da Agência Fonte Exclusiva








