A Suprema Corte da Argentina confirmou nesta terça-feira (10) a condenação da ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner por corrupção, tornando-a inelegível e abrindo caminho para sua eventual prisão. A decisão final encerra as possibilidades de apelação dentro do sistema judiciário argentino.
A ex-presidente havia anunciado sua candidatura a deputada pela província de Buenos Aires nas eleições marcadas para setembro. Com a confirmação da condenação, está legalmente impedida de concorrer a qualquer cargo público — um fato sem precedentes na história recente do país.
O caso que levou à condenação, conhecido como Causa Vialidad, envolve a concessão de contratos públicos a empresas ligadas ao empresário Lázaro Báez durante os mandatos de Cristina. A Justiça concluiu que houve fraude na administração de recursos e favorecimento ilícito.
A sentença, proferida em 2022, impôs seis anos de prisão e inabilitação perpétua para cargos públicos. Agora, com a confirmação da Suprema Corte, a decisão é definitiva. Apesar disso, Cristina nega qualquer envolvimento em corrupção e denuncia o que chama de perseguição judicial.
Na véspera do julgamento, durante um evento do Partido Justicialista (PJ), do qual é presidente, Cristina fez duras críticas à Justiça e ao governo de Javier Milei.
“Acham que vão resolver tudo me prendendo. Estarei presa, mas o povo vai continuar piorando”, declarou.
A ex-presidente também classificou o Judiciário como um instrumento do poder econômico:
“A Corte virou a guarda pretoriana dos interesses de uma elite que quer destruir o projeto popular argentino.”
Em resposta à decisão, o advogado Gregorio Dalbón afirmou que o caso será levado à Corte Internacional de Haia:
“Denunciamos uma perseguição sistemática contra Cristina, combinando ação judicial, midiática e política.”
O julgamento foi marcado por polêmicas. Fotos mostraram o juiz Rodrigo Giménez Uriburu e o procurador Diego Luciani — responsáveis pela condenação — jogando futebol em propriedades ligadas ao ex-presidente Mauricio Macri, principal opositor político de Cristina.
Apesar das acusações de parcialidade, o processo avançou até sua conclusão. O caso agora provoca intensos debates sobre o uso político do sistema judicial na Argentina, especialmente em ano eleitoral.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da RT.








