Há 35 anos, em 19 de maio de 1991, o cosmonauta Sergei Krikalev partia a bordo da Soyuz TM-12 rumo à estação espacial Mir. A missão, inicialmente planejada dentro da rotina do programa espacial soviético, acabou se tornando um dos episódios mais simbólicos da exploração espacial durante o fim da União Soviética. Registros biográficos indicam que Krikalev permaneceu na Mir por mais de 311 dias e retornou à Terra em 25 de março de 1992.
Engenheiro de formação e cosmonauta experiente, Krikalev já havia participado de missão anterior na Mir. Em 1991, no entanto, sua permanência em órbita coincidiu com um momento de forte instabilidade política e econômica em seu país de origem.
A estadia foi prolongada após mudanças operacionais no cronograma das missões. Enquanto o cosmonauta seguia realizando experimentos e atividades de manutenção na estação, a União Soviética enfrentava o processo de dissolução, concluído em dezembro de 1991. Quando ele retornou, o país que o havia enviado ao espaço já não existia mais.
Por isso, Krikalev passou a ser lembrado como o “último cidadão soviético”. A expressão se refere ao fato de ele ter deixado a Terra como cidadão da União Soviética e voltado meses depois a uma nova realidade geopolítica, com a Rússia já ocupando o lugar central no programa espacial herdado do antigo Estado soviético.
O retorno ocorreu em março de 1992, após uma missão que envolveu também o cosmonauta alemão Klaus-Dietrich Flade. A participação alemã fez parte da missão MIR’92, na qual Flade visitou a estação Mir por alguns dias.
Apesar de ter ficado conhecido popularmente como “cosmonauta esquecido”, Krikalev sempre evitou transformar a história em uma narrativa de abandono pessoal. O episódio foi resultado de um conjunto de fatores operacionais, financeiros e políticos que atingiram o programa espacial durante a transição entre a União Soviética e a Rússia.
A carreira do cosmonauta continuou depois desse episódio. Krikalev participou de missões importantes, incluindo voos no ônibus espacial americano e etapas iniciais da Estação Espacial Internacional. A Nasa registra que ele acumulou mais de 800 dias no espaço ao longo da carreira e integrou a Expedition 1, primeira tripulação de longa duração da ISS.
Sua trajetória ficou marcada não apenas pelo tempo em órbita, mas pelo contexto histórico incomum de sua missão. Krikalev partiu para o espaço em um país e voltou para outro, tornando-se um símbolo da transição entre duas eras da política e da exploração espacial.
*Da Agência Fonte Exclusiva








