Há 17 dias, o presidente Vladimir Putin ordenou que soldados russos invadissem a Ucrânia. Era o início da mais grave crise militar e do maior êxodo de refugiados da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. O correspondente Felipe Santana conta como o conflito avançou nas últimas semanas.
Duas semanas são uma vida para quem não sabe se o pior pode chegar a qualquer momento pela janela. Disfarçada de operação militar, uma guerra por terra, céu e mar em que é impossível contar os mortos.
As Nações Unidas dão conta até agora de 549 vítimas civis. E mais de 2,5 milhões de pessoas deixaram o país sem saber quando poderão voltar, e quando voltarem sem saber o que encontrarão.
As tropas russas avançam mais lentamente, mas não recuam, apesar dos protestos em várias partes do mundo. Parece que faz muito tempo desde que os Estados Unidos começaram a alertar para uma invasão.
Vladmir Putin jurava que não iria atacar, mas então porque colocou 150 mil soldados na fronteira? O presidente russo exigia que a aliança militar do Ocidente se comprometesse a nunca aceitar a Ucrânia. Não houve acordo.
Dia 1 – Moscou, 24 de fevereiro de 2022, 6h
Putin anuncia não uma invasão, mas uma operação militar, com o objetivo mentiroso de desnazificar o país. E logo depois os estrondos na capital Kiev e as tropas avançando pelo leste e sul do país. Quando as sirenes de guerra começam a soar, os ucranianos correm para os subterrâneos, para as estações de metrô.
O secretário-geral da Otan disse: “É uma invasão planejada a sangue frio.” Na ONU, embaixadores da Rússia e Ucrânia frente a frente num ambiente gelado de comunicação impossível. A Rússia vetou uma condenação a si própria no Conselho de Segurança, enquanto o presidente Volodymyr Zelensky surpreendeu o mundo ao declarar que lutaria até o fim. “O futuro da Ucrânia depende de cada cidadão”, disse.
Enquanto Putin mostra que não vai poupar nem as áreas residenciais da capital, os ucranianos começam a lutar com seus parcos recursos. Espalhando a receita de coquetéis molotov, tentando com as bombas caseiras e o próprio corpo frear a artilharia.
Ficou óbvio que a vida normal não existia mais, e cada vez mais óbvio que aquilo não era uma operação militar.
Dia 3
Quando Zelensky viu sua cabeça a prêmio, os Estados Unidos se ofereceram para tirá-lo dali. Mas ele respondeu que não precisava de uma carona, mas de armas. Países do mundo todo que historicamente não se envolvem em guerras prometeram munição, que demora a chegar.
Dia 6
Putin avança para uma das maiores cidades ucranianas, Kharkiv, atacando o prédio do governo e áreas residenciais, matando ainda mais civis. “Putin é um bandido”, diz um morador ao revirar os escombros.
No mesmo dia, a torre de TV de Kiev é bombardeada, em mais uma tentativa de deixar os ucranianos às escuras, sem informação.
Dia 8
Mísseis contra uma usina nuclear invocam a tragédia do passado. Zelensky fala em russo: “Como vocês podem ter se esquecido do que aconteceu em Chernobyl?”
Dia 12
Os moradores tentam fugir das redondezas de Kiev, mas um bombardeio matou a mãe e duas crianças. Hospitais e maternidades lotados de feridos, mas nem ali um lugar seguro.
Dia 14
Sobrou pouco do hospital infantil de Mariupol, que a Ucrânia diz ter sido atacado pelos russos.
Enquanto os homens resistem e ficam para lutar, mulheres e crianças rumam aos milhões para o oeste, cruzando a fronteira com a Polônia. Uma criança mostra o desenho de antes e depois.
Se essas duas semanas para um adulto pareceram um ano, para quem tem poucos anos o estrago é para sempre. Mesmo que na hora não percebam e dentro de um bunker a menina cante a música que em português se chama “Livre estou” ou o bebê que claramente não gosta do capacete do pai.
Duas semanas é muito tempo.
As informações são do g1.








