A cidade de Toyoake, no centro do Japão, aprovou uma portaria inédita que recomenda limitar o uso de smartphones a apenas duas horas por dia. A medida, válida para os cerca de 69 mil habitantes, não prevê penalidades, mas tem como objetivo principal conscientizar sobre os impactos do uso excessivo de telas na saúde física, mental e nas relações sociais.
Embora o vício em smartphones seja uma realidade global, autoridades japonesas afirmam estar particularmente preocupadas com crianças e jovens que sacrificam sono e tempo em família para permanecer conectados. A portaria foi aprovada pela assembleia municipal no mês passado e começou a ser implementada recentemente.
Relatos iniciais mostram que reduzir o tempo de tela levou muitas pessoas a redescobrirem atividades como leitura, estudo, prática de exercícios físicos e maior atenção ao convívio social. Alguns usuários relataram que seus dias pareceram mais longos e significativos ao limitar o uso do celular, ainda que outros tenham sentido dificuldades em cumprir o limite, especialmente durante deslocamentos ou momentos de lazer.
Segundo especialistas, a questão não está apenas na quantidade de tempo gasto, mas também na qualidade desse uso. O desafio de Toyoake reforça um debate mais amplo sobre como equilibrar aprendizado, trabalho e entretenimento no ambiente digital.
O prefeito Masafumi Koki defendeu a medida, ressaltando que a intenção não é controlar a vida privada, mas estimular reflexão sobre hábitos digitais. “Trata-se de sono, família e bem-estar. Se a lei fizer com que pelo menos algumas pessoas pensem sobre como usam seus smartphones, já terá cumprido seu papel”, declarou.
De acordo com a Agência para Crianças e Famílias, os jovens japoneses passam, em média, pouco mais de cinco horas por dia online durante a semana. A iniciativa de Toyoake tenta reverter esse cenário e reacender a discussão sobre os efeitos da tecnologia na vida cotidiana.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








