A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos provocou protestos pontuais no centro de Caracas e reacendeu a mobilização de apoiadores do chavismo. Em meio a um clima de tensão e incerteza, manifestantes foram às ruas para denunciar a operação americana e expressar revolta com o que classificam como uma traição interna.
“O povo indignado exige seus direitos!”, gritava um pequeno grupo reunido no domingo (4) em uma manifestação em apoio a Maduro e à sua esposa, Cilia Flores, detida na mesma ação militar. O ato ocorreu sob forte presença de homens armados, integrantes dos chamados coletivos, grupos paramilitares alinhados ao governo, além de funcionários de instituições públicas.
Apesar do simbolismo político, a mobilização foi reduzida e marcada por sentimentos de raiva, dor e muitas perguntas sem resposta. Para parte dos manifestantes, a forma como Maduro foi capturado levanta dúvidas sobre falhas na segurança presidencial e possíveis traições dentro do próprio sistema de poder.
“Me sinto humilhada. Levaram nosso presidente com muita facilidade. Acho que ele foi traído de alguma forma”, afirmou Rosa Contreras, de 57 anos, líder comunitária do bairro Antímano, no oeste da capital. Segundo ela, a imagem de Maduro chegando aos Estados Unidos, mantendo postura firme, foi interpretada como um recado direto aos apoiadores chavistas para que permaneçam mobilizados.
Outros participantes relataram forte abalo emocional. Carmen Chirinos, de 63 anos, disse ter chorado ao ver imagens do presidente algemado. “Sou revolucionária e isso parte meu coração. É muita dor e tristeza”, declarou.
A operação militar, denominada pelos Estados Unidos como “Resolução Absoluta”, envolveu dezenas de aeronaves e foi executada por forças de elite. Maduro e Cilia Flores foram levados inicialmente para um navio no mar do Caribe e, posteriormente, transferidos para Nova York. Em sua primeira audiência judicial, Maduro declarou-se inocente, afirmou ser um “prisioneiro de guerra” e sustentou que continua sendo o presidente legítimo da Venezuela.
Entre os chavistas presentes no protesto, o temor de novos ataques e a defesa armada da revolução também apareceram nos discursos. “Se tentarem outra ofensiva, vão nos encontrar armados”, disse uma funcionária de programas sociais do governo, sob aplausos de outros manifestantes.
Enquanto apoiadores questionam o que falhou na defesa nacional, o governo venezuelano ainda não divulgou um balanço oficial de vítimas ou danos causados pela operação. Diante da ausência de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência por decisão do Tribunal Supremo de Justiça.
Fora do perímetro dos protestos, a população de Caracas enfrenta outra preocupação: o impacto da crise política no cotidiano. Supermercados registram filas, algumas prateleiras vazias e um clima de apreensão sobre os próximos dias, em um país já marcado por anos de dificuldades econômicas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








