A face da América que a escola de Chicago esconde e a mídia norte-americana deplora no país dos outros: pessoas sem moradia, transporte caótico, falta de assistência médica e esgoto à céu aberto;

*Reportagem Especial

A imagem dos EUA glamourizada nos símbolos novaiorquinos ofuscam cenas que a mídia norte-americana deplora no país dos outros e os liberalismo da escola de Chicago faz de conta que não vê.

Na América, nação mais rica do mundo sob o ponto de vista do Produto Interno Bruto (PIB), as crianças estão adoecendo por causa de piscinas de esgoto in natura à céu aberto. São 40 milhões de pessoas vivendo na pobreza, um índice que reproduz um nível mundial, segundo destaca a escritora e jornalista Rania Khalek, em artigo publicado no site RT.

Baseada no Oriente Médio, a jornalista destaca que esta constatação é parte de um relatório divulgado pela ONU em dezembro do ano passado, após uma investigação de duas semanas sobre a pobreza extrema nos EUA. Foi o resultado de uma inspeção realizada por pesquisadores da organização nos Estados da Califórnia, Alabama, Geórgica, Porto Rico, Virginia Ocidental e Washington DC.

“Os Estados Unidos são um dos países mais ricos, poderosos e tecnologicamente inovadores do mundo; mas nem sua riqueza, nem seu poder, nem sua tecnologia estão sendo aproveitados para tratar da situação na qual 40 milhões de pessoas continuam a viver na pobreza”, escreveu Philip Alston, relator especial da ONU sobre pobreza extrema e direitos humanos.

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Os relatos são chocantes não apenas pela situação vulnerável da população pobre, mas também pela insensibilidade das autoridades locais frente a demanda social.

“Encontrei-me com muitas pessoas que mal sobrevivem no Skid Row em Los Angeles, testemunhei um policial de São Francisco dizendo a um grupo de pessoas sem-teto para ir embora, mas não tendo resposta quando perguntado para onde poderiam ir. Ouvi como milhares de pessoas pobres recebe pequenos avisos de infração que parecem intencionalmente projetados para rapidamente explodir em dívida impagável, encarceramento e reposição dos cofres municipais”, relata o pesquisador.

“Vi estaleiros cheios de esgoto em estados onde os governos não consideram as instalações de saneamento sua responsabilidade, vi pessoas que perderam todos os dentes porque os cuidados dentários de adultos não são cobertos pela grande maioria dos programas disponíveis para os muito pobres, Eu ouvi sobre as taxas de mortalidade crescentes e destruição da família e da comunidade forjada pelos opiáceos”. (Trecho do relatório do inspetor da ONU).

Os pátios cheios de esgoto citados no relatório da ONU foram encontrados em áreas pobres como o condado de Lowndes, no Alabama, onde muitas pessoas não têm condições de instalar tanques ou foças sépticas, fazendo com que o esgoto se acumule em suas casas. O esgoto não tratado cria um ambiente de risco para proliferação de todos os tipos de doenças.

Em Lowndes causou à proliferação da ancilostomíase, uma doença parasitária dos intestinos comumente encontrada nos países em desenvolvimento mais pobres do mundo .

A descoberta dos níveis mundiais de pobreza e doenças no país mais rico e mais poderoso do mundo, por mais chocante que seja, é apenas parte da história. As descobertas da ONU, na verdade, estão de acordo com a espiral decadente do modelo de capitalismo norte-americano.

A jornalista faz uma comparação da política de proteção social dos EUA e da Europa. Segundo ela, o europeu pode se considerar mais amparado do que a população norte-americana.

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Em países como a Alemanha, “o transporte público funciona de forma eficiente e existe uma rede de segurança social”.

“Embora a falta de moradia seja um problema no país, ela não é tão agressiva quanto nos Estados Unidos e geralmente parece estar mais associada ao vício”, escreve a jornalista.

Os europeus são geralmente muito mais saudáveis. Habitação, alimentação e educação superior são acessíveis e as pessoas não gastam todo o seu tempo trabalhando, elas são capazes de tirar férias e aproveitar a vida. Eles normalmente têm direito a uma licença de maternidade longa e remunerada, enquanto nos Estados Unidos a classe trabalhadora é forçada a retornar ao trabalho em apenas duas semanas.

Enquanto isso, o sistema de metrô de Nova York está decaindo devido a política de desinvestimento e a corrupção. No verão passado, um trem parou, deixando os passageiros no escuro sem ar condicionado por uma hora.

“Com o calor e as janelas da lotação embaçadas, os passageiros bateram nas paredes e agarraram as portas em uma cena que lembra uma história de horror da vida real”, relatou o New York Times.

Em Washington DC, a capital do país, o metrô está sempre atrasado e sem segurança, com incêndios de trem se tornando uma ocorrência regular. Estes são apenas alguns exemplos da degradação da infraestrutura. Pontes estão desmoronando e escolas estão fechadas

Em Baltimore, dezenas de escolas não tinham aquecedores em dias de temperaturas negativas recordes no inverno. A única coisa que a liderança da América parece ser capaz de sustentar no investimento em prisões e na guerra.

Os jovens norte-americanos estão lutando sob o peso de US$ 1,4 trilhão em dívidas de empréstimos estudantis. A renda dos aposentados são deploráveis, obrigando a trabalhar para obter renda extra. A Previdência Social não é suficiente e o Medicare não cobre todas as suas necessidades médicas. Cerca de 45.000 pessoas morrem por ano porque não conseguem atendimento médico.

Em mais de 3.000 condados em toda a América, os suprimentos de água têm níveis de chumbo mais elevados do que em Flint, Michigan, e nada está sendo feito para resolver o problema. Existem condados distantes uns dos outros, onde a expectativa de vida cai em 20 anos. Existem bolsões nos EUA que possuem as características dos países do terceiro mundo.

*Agência VIU!

 

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