O Brasil registrou uma redução de 9,2% no trabalho infantil em 2025, alcançando o menor percentual dos últimos dez anos.
Apesar do resultado, aproximadamente 1,5 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos ainda estavam submetidos a atividades consideradas prejudiciais à saúde, à educação e ao desenvolvimento.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Segundo o levantamento, 1,499 milhão de crianças e adolescentes estavam em situação de trabalho infantil, o equivalente a 4% da população dessa faixa etária. Em 2024, o percentual era de 4,3%, após um aumento de 2,1% no número de jovens nessa condição.
Meninos e jovens pretos ou pardos são os mais atingidos
A pesquisa revela desigualdades de gênero e raça. Os meninos representavam 65,4% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, enquanto as meninas correspondiam a 34,6%.
Entre os jovens pretos ou pardos, a participação chegava a 67% do total, embora esse grupo representasse 59,7% da população brasileira entre 5 e 17 anos.
Os indicadores evidenciam que o trabalho infantil continua atingindo de forma desigual diferentes parcelas da população.
Melhora da renda pode ter contribuído para queda
De acordo com o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, a redução pode estar relacionada à melhora do mercado de trabalho, à diminuição do desemprego e ao aumento da renda familiar.
Com maior rendimento dos responsáveis pelos domicílios, diminui a pressão econômica que pode levar crianças e adolescentes a trabalhar.
Programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e políticas públicas de proteção à infância também podem ter influenciado os resultados. O instituto, entretanto, não atribui a queda a um único fator.
Sudeste concentra maior número de casos
O Sudeste apresentou o maior número absoluto de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com aproximadamente 481 mil pessoas. O Nordeste aparece em seguida, com 408 mil.
A incidência aumenta entre os adolescentes mais velhos. Na faixa de 16 e 17 anos, 14,5% estavam em situação de trabalho infantil em 2025.
Nesse grupo, a frequência escolar era de 79,6%, indicando dificuldades relacionadas à permanência dos jovens na escola.
Legislação brasileira proíbe trabalho antes dos 16 anos
No Brasil, o trabalho é proibido para menores de 16 anos, exceto na condição de aprendiz a partir dos 14 anos. Atividades noturnas, perigosas ou insalubres são vedadas para menores de 18 anos.
A classificação de trabalho infantil adotada pelo IBGE considera critérios da Organização Internacional do Trabalho (OIT), incluindo atividades que oferecem riscos à saúde, comprometem o desenvolvimento ou prejudicam a escolarização.
Apesar da redução registrada em 2025, os números mostram que o problema permanece como um desafio social no país.
A continuidade das políticas de proteção, o fortalecimento da renda familiar e o acesso à educação são considerados fundamentais para reduzir ainda mais o trabalho infantil e garantir melhores condições de desenvolvimento para crianças e adolescentes.
*Da Agência Fonte Exclusiva








