Apesar de ser essencial para o funcionamento da sociedade, o trabalho doméstico no Brasil ainda enfrenta obstáculos relacionados à valorização, formalização e condições de trabalho.
Dados do IBGE indicam que quase seis milhões de pessoas atuam na área, sendo cerca de 5,5 milhões mulheres.
Mesmo com avanços na legislação, especialistas apontam que a categoria ainda não alcançou o mesmo nível de reconhecimento observado em outras profissões.
A historiadora Gláucia Fraccaro destaca que, no setor, o salário mínimo muitas vezes é tratado como valor máximo, e não como base para negociação.
No aspecto financeiro, o Ministério do Trabalho e Emprego aponta que a média salarial de trabalhadores domésticos com carteira assinada gira em torno de R$ 1.952.
Além disso, relatos frequentes em redes sociais indicam a persistência de práticas discriminatórias no cotidiano dessas profissionais.
A rapper e pesquisadora Preta Rara chama atenção para situações que refletem desigualdades históricas, como restrições ao uso de espaços nas residências e tratamento diferenciado em relação aos empregadores. Para ela, esses episódios revelam padrões sociais ainda presentes.
Esse cenário também influencia decisões familiares. Segundo Janaína Souza, muitas trabalhadoras incentivam que filhos e familiares busquem outras profissões, diante das dificuldades e da baixa valorização da área.
A chamada PEC das Domésticas ampliou direitos como jornada definida, FGTS e férias. No entanto, nem todas as profissionais foram igualmente beneficiadas.
Trabalhadoras diaristas, por exemplo, continuam sem acesso a parte dessas garantias, como observa a escritora Verônica Oliveira.
A informalidade segue como um dos principais desafios. De acordo com o Dieese, cerca de 47% das trabalhadoras domésticas ainda atuam sem carteira assinada. Por outro lado, mais da metade das profissionais exerce a atividade como mensalista, com acesso aos direitos previstos em lei.
Outro tema em debate é o possível fim da escala 6×1. Especialistas avaliam que, caso a mudança avance, o impacto será maior entre trabalhadores com vínculo formal, reduzindo a jornada semanal. Já as diaristas, por atuarem de forma autônoma, não devem ser diretamente afetadas.
Para estudiosos, o desafio atual vai além da criação de leis. Envolve ampliar a fiscalização, atualizar normas e promover uma mudança cultural na forma como o trabalho doméstico é percebido — uma atividade essencial, mas historicamente marcada pela desvalorização.
*Da Agência Fonte Exclusiva








