Um modelo de produção agrícola desenvolvido no município de Tomé-Açu, no Pará, tem ganhado destaque por propor uma mudança no cultivo do dendê ao substituir o sistema de monocultura por um formato agroflorestal que reproduz características da floresta natural.
A iniciativa, destacada pelo portal g1 nesta sexta-feira (1º), integra o dendê a outras culturas como açaí, cacau e andiroba.
Nesse sistema, diferentes espécies convivem no mesmo espaço produtivo, o que contribui para o equilíbrio ambiental, melhora a qualidade do solo e reduz a dependência de insumos químicos.
Os resultados observados ao longo dos anos indicam aumento de produtividade. Cada planta de dendê pode produzir até 180 quilos de cachos por ano, acima da média de cerca de 130 quilos registrada no cultivo tradicional.
Além do ganho produtivo, o modelo também apresenta impactos positivos no meio ambiente. A camada de matéria orgânica do solo, por exemplo, aumentou de aproximadamente 5 centímetros para mais de 30 centímetros ao longo de cerca de 17 anos de manejo.
No aspecto econômico, o dendê cultivado nesse sistema pode atingir valores entre 15% e 20% superiores ao convencional. O resultado é atribuído tanto ao apelo sustentável do produto quanto à redução de custos com fertilizantes, já que a própria diversidade de espécies ajuda na nutrição do solo.
O Pará lidera a produção de dendê no país, uma cultura com forte presença no mercado global, utilizada principalmente nas indústrias de alimentos, cosméticos e biocombustíveis. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta críticas relacionadas ao desmatamento em outras regiões produtoras.
Nesse contexto, a experiência de Tomé-Açu surge como uma alternativa de produção mais sustentável, buscando conciliar produtividade agrícola e preservação ambiental.
O modelo também tem despertado interesse de setores como o de cosméticos, que utilizam o óleo de dendê como matéria-prima.
*Da Agência Fonte Exclusiva








