Uma nova diretriz conjunta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) reclassifica os níveis de pressão arterial no Brasil.
Agora, valores entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9 (120-139 mmHg sistólica e/ou 80-89 mmHg diastólica) passam a ser considerados pré-hipertensão, faixa que exige acompanhamento médico e, em alguns casos, intervenção medicamentosa.
A atualização segue a tendência de normas internacionais, como as divulgadas no Congresso Europeu de Cardiologia em 2024, que já classificavam a pressão 12×8 como “pressão arterial elevada”.
Outra mudança importante é a meta de tratamento: antes, aceitava-se como controle manter a pressão até 14×9 (140/90 mmHg). A nova recomendação estabelece como alvo para todos os hipertensos valores abaixo de 13×8 (<130/80 mmHg), independentemente de idade, sexo ou comorbidades. Quando não for possível atingir esse patamar com segurança, a orientação é manter a pressão no nível mais baixo tolerado.
Além de focar nos números, o documento introduz o escore PREVENT, ferramenta que estima a probabilidade de um evento cardiovascular em dez anos. O cálculo considera fatores como obesidade, diabetes, colesterol alto e lesões em órgãos-alvo, permitindo condutas mais personalizadas e alinhadas à chamada medicina de precisão.
Pela primeira vez, a diretriz dedica capítulos ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à saúde da mulher. Para a rede pública, recomenda-se priorizar medicamentos disponíveis, fortalecer o acompanhamento multiprofissional e incentivar o uso de MAPA e MRPA, quando possível, visando reduzir desigualdades regionais.
Na saúde feminina, o documento orienta aferição regular da pressão em usuárias de anticoncepcionais, gestantes e mulheres no peri e pós-menopausa. Também reforça que quem teve hipertensão gestacional deve ser monitorada a longo prazo, já que apresenta maior risco de doenças cardiovasculares no futuro.
Entre as recomendações gerais, estão perda de peso, redução do sal, dieta rica em potássio e prática regular de atividade física. No tratamento medicamentoso, sugere-se iniciar, na maioria dos casos, com a associação de dois fármacos em baixa dose, preferencialmente em um único comprimido.
Atualmente, cerca de um terço da população brasileira adulta convive com hipertensão, mas apenas um terço desses pacientes tem a pressão controlada. A expectativa é que a reclassificação e as metas mais rígidas ampliem a prevenção e melhorem o cuidado em consultórios privados e na atenção básica do SUS.
Da Agência Fonte Exclusiva.








