O policial britânico Wayne Couzens confessou nesta sexta-feira o assassinato de Sarah Everard, cuja morte suscitou questionamentos em todo o país sobre o que a polícia, o governo e a sociedade podem fazer para impedir a violência masculina contra as mulheres. O oficial de 48 anos já havia admitido ter estuprado e sequestrado a executiva de marketing, de 33 anos.
Everard foi sequestrada enquanto voltava para casa da casa de um amigo no sul de Londres em 3 de março. Seu corpo foi encontrado mais tarde em uma floresta a cerca de 80 quilômetros de distância, no sudeste da Inglaterra. Uma autópsia no mês passado concluiu que ela havia morrido em decorrência de compressão no pescoço.
Em audiência online realizada hoje na capital britânica, Couzens se declarou culpado quando questionado sobre a acusação de assassinato.
O promotor Tom Little disse que o policial nunca conheceu Everard antes de sequestrá-la na estrada Circular Sul de Londres e que eles eram “totalmente estranhos”. Little disse ainda que pode não ser possível determinar exatamente o que aconteceu, mas o juiz Adrian Fulford afirmou que Couzens havia feito um relato completamente falso dos fatos.
— Esta foi uma investigação gigantesca que produziu alguns resultados muito significativos em termos de ser capaz de entender o que aconteceu — disse Fulford.
O advogado do policial, James Sturman, disse que a confissão de seu cliente representavam “culpa e remorso genuínos pelo que ele fez”.
— Como ele nos disse esta manhã, ele vai carregar esse fardo pelo resto de sua vida, e ele merece – nas suas palavras ‘e eu mereço’. Ele aceita que as vítimas neste caso são a família e amigos de Everard, não ele — disse Sturman ao tribunal.
Uma audiência de sentença de dois dias, que considerará relatórios psiquiátricos, começará em 29 de setembro.
O assassinato de Everard provocou uma onda de revolta entre mulheres que contaram suas próprias experiências e medos de andar nas ruas sozinhas à noite. A mobilização levou o primeiro-ministro Boris Johnson a prometer ações como melhoria da iluminação pública.
Após o assassinato que chocou o Reino Unido, Johnson também prestou sua solidariedade aos familiares da vítima em seu Twitter. Na ocasião, ele afirmou estar “profundamente chocado e triste com os desdobramentos da investigação de Sarah Everard”.
“Como todo o país, meus pensamentos estão com sua família e amigos. Devemos trabalhar rápido para encontrar todas as respostas para este crime horrível”, escreveu.
O caso
Everard foi vista pela última vez no dia 3 de março, quando voltava da casa de um amigo em Clapham, no sul de Londres. Pouco antes de ser raptada, ela conversou com o namorado ao telefone. Uma câmera acoplada a um carro de polícia que passava pelo local flagrou a executiva caminhando sozinha às 21h32.
Apenas três minutos depois, uma câmera de ônibus capturou o momento em que ela foi interceptada por Couzens. Duas pessoas podiam ser vistas ao lado de um carro alugado, usado no crime. Depois do sequestro, o oficial saiu de Londres.
Os investigadores rastrearam a rota do veículo usando câmeras segurança e identificaram que o motorista era um policial por meio da empresa de aluguel de carros. Couzens usou seus dados pessoais e cartão do banco para fazer a reserva. Ele pegou o carro no dia do crime e o devolveu na manhã seguinte.
Nos dias seguintes, Couzens relatou que estava sofrendo de estresse e não queria mais portar arma de fogo. Ele foi detido em 9 de março, após apagar os dados de seu celular. à polícia, o policial disse que estava com problemas financeiros e que uma gangue de europeus orientais ameaçou sua família. O grupo teria exigido que ele entregasse “outra garota” após não pagar o que devia a uma prostituta semanas antes.
Couzens contou que sequestrou Everard, dirigiu para fora de Londres e a entregou a três homens do Leste Europeu em uma van. Ela ainda estaria viva e ilesa, segundo o oficial.
As informações são de O Globo.








