A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, dia 9, uma ofensiva nacional para desarticular uma organização criminosa suspeita de envolvimento em um esquema transnacional de contrabando, corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes econômicos. As ações foram batizadas de Sicarius I e Sicarius II e mobilizam agentes em diferentes regiões do país.
Ao todo, são cumpridos mais de 100 mandados judiciais. A operação inclui 58 mandados de prisão e 62 de busca e apreensão nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará.
O objetivo é atingir uma estrutura criminosa que, segundo as investigações, atuava de forma organizada, com divisão de funções e ramificações em vários estados.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo é investigado por suspeita de contrabando de cigarros, importação ilegal de agrotóxicos, falsificação de documentos e adulteração de placas de veículos.
As apurações indicam que a organização utilizava diferentes frentes de atuação para viabilizar as atividades ilícitas e dificultar a identificação dos responsáveis.
A investigação aponta que os integrantes do esquema operavam com estrutura sofisticada. Cada núcleo teria uma função específica, incluindo logística, transporte de mercadorias ilegais, armazenamento, distribuição, ocultação de bens e movimentação financeira.
A divisão de tarefas, segundo a PF, permitia ampliar o alcance da organização e reduzir os riscos de rastreamento.
Para tentar dar aparência legal aos valores obtidos com as práticas criminosas, os investigados teriam usado empresas de fachada, pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, e mecanismos de ocultação patrimonial.
Essas estratégias, conforme a Polícia Federal, eram utilizadas para esconder a origem ilícita dos recursos e dificultar a atuação dos órgãos de controle.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais federais apreenderam documentos, munições e armas de fogo. Entre os armamentos recolhidos estão pistolas, revólveres e espingardas.
O material será encaminhado para análise e poderá auxiliar na identificação de outros envolvidos e no avanço das investigações.
A Justiça também determinou medidas financeiras e cadastrais contra os alvos da operação. Mais de 40 contas bancárias foram bloqueadas, e diversos CPFs e CNPJs tiveram o cancelamento autorizado.
As medidas buscam impedir novas movimentações suspeitas e evitar a dissipação de patrimônio possivelmente ligado ao esquema.
Além da investigação criminal, foram instaurados quase 70 procedimentos administrativos fiscais contra empresas localizadas em 12 estados.
A apuração fiscal deverá analisar possíveis fraudes tributárias, irregularidades empresariais e movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas.
A operação também prevê cooperação jurídica internacional. A autorização busca permitir o aprofundamento das investigações fora do Brasil, com o objetivo de localizar bens, empresas, pessoas e estruturas criminosas possivelmente associadas ao grupo em outros países.
As operações Sicarius I e II fazem parte de uma estratégia da Polícia Federal para combater organizações criminosas com atuação interestadual e transnacional.
A corporação pretende mapear toda a rede envolvida, desde os responsáveis pelo financiamento e transporte dos produtos ilegais até os mecanismos utilizados para lavar o dinheiro obtido com as atividades criminosas.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, contrabando, corrupção, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e outros delitos que venham a ser identificados no decorrer da apuração.
O material apreendido será submetido à perícia e poderá embasar novas fases da investigação.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








