A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, expira nesta sexta-feira (20), abrindo caminho para a entrada de novos fabricantes no mercado. Apesar da expectativa de redução nos preços, especialistas apontam que o impacto para o consumidor será lento e progressivo, sem mudanças imediatas nas farmácias.
Com o fim da exclusividade da fabricante original, outras empresas passam a poder desenvolver versões do medicamento. No entanto, esses produtos ainda precisam ser aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), processo que pode levar meses. Atualmente, há pelo menos 15 pedidos em análise, mas nenhum similar ou genérico foi autorizado até o momento.
A previsão é que os primeiros concorrentes cheguem ao mercado apenas no segundo semestre de 2026. Mesmo após esse período, a redução de preços deve ocorrer de forma gradual, acompanhando o aumento da concorrência.
Além das exigências regulatórias, a produção da semaglutida apresenta desafios técnicos relevantes. Trata-se de um medicamento biotecnológico complexo, que exige alto nível de controle de qualidade, estabilidade molecular e testes clínicos rigorosos. Esse fator tende a limitar quedas mais expressivas no valor final, especialmente quando comparado a medicamentos mais simples.
Utilizado no tratamento de diabetes tipo 2, obesidade e sobrepeso, o Ozempic atua de forma semelhante ao hormônio GLP-1, ajudando a controlar a glicemia e promovendo sensação de saciedade. A alta demanda recente pelo medicamento também influencia a dinâmica de preços no mercado.
Mesmo com o fim da patente, especialistas indicam que o custo deve permanecer elevado no curto prazo, sobretudo por se tratar de um medicamento injetável e de uso contínuo. A tendência é de reduções iniciais discretas, com possíveis quedas mais significativas apenas no médio prazo.
Por outro lado, a abertura do mercado pode favorecer discussões sobre a incorporação da semaglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS). Com a possibilidade de redução de custos, o medicamento passa a ter maior potencial de atender critérios de custo-efetividade exigidos em avaliações públicas.
Paralelamente, cresce a preocupação com o avanço do mercado ilegal. A ampliação da demanda e a expectativa de maior circulação do produto podem estimular a venda de versões falsificadas ou sem controle sanitário, aumentando riscos à saúde e exigindo maior fiscalização.
O cenário indica uma mudança importante no acesso ao medicamento, mas que ainda dependerá de etapas regulatórias, capacidade produtiva e dinâmica de mercado para se consolidar.
*Da Agência Fonte Exclusiva








