O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV, desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a identificação de 42 casos de reações adversas graves registrados pelo sistema de vigilância pós-vacinação em diferentes regiões do país.
Entre os casos investigados, três pessoas precisaram ser internadas e duas morreram após desenvolver quadros compatíveis com dengue grave. Apesar da gravidade das ocorrências, o governo federal ressalta que ainda não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação de causa e efeito entre a vacina e os eventos registrados.
Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a suspensão tem caráter preventivo e busca garantir uma investigação aprofundada dos episódios.
“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, buscando possíveis fatores de risco e realizando estudos detalhados”, afirmou.
Segundo Padilha, algumas das reações observadas foram consideradas inesperadas porque não haviam sido identificadas durante os estudos clínicos que antecederam a aprovação do imunizante.
Vacina é a primeira de dose única contra dengue
A Butantan-DV é a primeira vacina de dose única contra a dengue aprovada no mundo. Desenvolvida integralmente no Brasil após mais de uma década de pesquisas iniciadas em 2009, ela foi criada para oferecer proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
O imunizante foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro de 2026 e passou a ser utilizado inicialmente em municípios-piloto para avaliação do impacto da vacinação na dinâmica da doença.
Até o dia 30 de maio, cerca de 500 mil doses haviam sido aplicadas em todo o país.
A suspensão anunciada pelo Ministério da Saúde não afeta a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda e utilizada normalmente no SUS.
Casos graves levaram à suspensão temporária
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, das mais de 500 mil pessoas vacinadas com a Butantan-DV, 3.703 apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% do total.
Entre esses registros, 42 pessoas desenvolveram sintomas considerados de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. O índice representa cerca de 0,008% dos vacinados.
Os três casos mais graves analisados pelas autoridades de saúde envolveram:
- Uma mulher de 39 anos, que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Ela evoluiu para dengue grave, precisou de internação em UTI, mas recebeu alta hospitalar;
- Uma mulher de 48 anos, que desenvolveu dengue grave com comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, e morreu 19 dias após receber a dose;
- Um homem de 58 anos, que apresentou febre cinco dias após a imunização, evoluiu rapidamente para choque refratário e também morreu.
Os episódios foram avaliados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que recomendaram a suspensão cautelar da estratégia de vacinação.
Vacina continua sendo considerada eficaz, diz Ministério
O Ministério da Saúde enfatizou que a suspensão não significa que a vacina perdeu sua eficácia ou foi considerada insegura.
Segundo a pasta, as pessoas já vacinadas continuam protegidas contra a dengue e devem manter a tranquilidade enquanto os estudos complementares são realizados.
A investigação deverá analisar histórico clínico, doenças preexistentes, fatores de risco individuais, possíveis erros de imunização, desvios de qualidade e outras causas que possam explicar os eventos observados.
Além disso, pessoas que receberam a vacina do Butantan nos últimos 21 dias passarão por monitoramento especial.
Orientação para vacinados
O Ministério da Saúde recomenda que pessoas imunizadas recentemente procurem atendimento médico imediatamente caso apresentem sintomas como:
- Febre persistente;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos frequentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
As autoridades destacam que a vigilância de eventos adversos faz parte da rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e é fundamental para garantir a segurança das vacinas utilizadas no país.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








