Em um artigo de opinião publicado no The New York Times neste domingo (14/09/2025), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmando que a democracia e a soberania do Brasil são “inegociáveis”.
O texto, intitulado “Democracia e Soberania Brasileiras São Inegociáveis”, aborda criticamente as tarifas de 50% impostas pelos EUA a produtos brasileiros, defende as instituições democráticas do país e rebate acusações sobre regulação de big techs, sistema PIX e políticas ambientais .
Contexto Comercial e Críticas ao Tarifaço
Lula destacou que os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 410 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos, ressaltando que 75% das exportações americanas para o Brasil entram com isenção tarifária. Ele classificou as tarifas de 50% como “equivocadas” e “ilógicas”, argumentando que a medida carece de fundamento econômico e é motivada por razões políticas .
Segundo Lula, o governo Trump busca “impunidade para o ex-presidente Jair Bolsonaro”, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe em 2023 .
Defesa das Instituições Democráticas
O presidente brasileiro elogiou o Supremo Tribunal Federal (STF) pela decisão histórica que condenou Bolsonaro, negando que o processo tenha sido uma “caça às bruxas” – termo usado por Trump.
Lula lembrou que as investigações revelaram planos de assassinato contra ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, além de um esboço de decreto para anular as eleições de 2022 . Ele enfatizou que o julgamento seguiu a Constituição de 1988, elaborada após a luta contra a ditadura militar .
Regulação de Big Techs e Sistema PIX
Lula rebateu as acusações de que o Brasil persegue empresas de tecnologia americanas, afirmando que todas as plataformas digitais – nacionais ou estrangeiras – estão sujeitas às mesmas leis. “É desonesto chamar regulação de censura”, escreveu, destacando que as normas visam proteger cidadãos contra fraudes, desinformação e discurso de ódio .
Defendeu ainda o sistema PIX, que promoveu inclusão financeira “de milhões de brasileiros”, e criticou a investigação comercial dos EUA sobre a ferramenta: “Não podemos ser penalizados por criar um mecanismo rápido, gratuito e seguro” .
Meio Ambiente e Amazônia
Sobre as acusações de falha no combate ao desmatamento, Lula afirmou que o Brasil reduziu a taxa de destruição da Amazônia pela metade nos últimos dois anos e apreendeu “centenas de milhões de dólares” em bens ligados a crimes ambientais em 2024.
Alertou, porém, que a floresta permanece em risco sem esforços globais para reduzir emissões de gases de efeito estufa, o que poderia transformar a região em savana e afetar padrões climáticos até no Meio-Oeste americano .
Disposição ao Diálogo e Soberania
Apesar das críticas, Lula reiterou abertura para negociar com os EUA em áreas de benefício mútuo, mas deixou claro: “A democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta”. Citou um discurso de Trump na ONU em 2017 sobre respeito entre nações soberanas e concluiu: “É assim que vejo a relação entre Brasil e Estados Unidos: duas grandes nações capazes de se respeitarem e cooperarem” .
Repercussão e Contexto Internacional
O artigo surge em meio a tensões diplomáticas, incluindo ameaças de uso de força militar por parte de funcionários dos EUA e sanções contra autoridades brasileiras. Lula buscou equilibrar firmeza na defesa da soberania e apelo à cooperação, destacando o multilateralismo como caminho para soluções justas . O texto foi publicado em um dos principais jornais dos EUA, ampliando seu alcance na opinião pública internacional.
Da Agência Fonte Exclusiva.








