Durante entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo nesta terça-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que os Estados Unidos demonstram “um pouco de ciúmes” em relação ao fortalecimento da participação brasileira no BRICS. Segundo Lula, o bloco — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — foi idealizado com objetivos semelhantes ao G20, criado também com participação do Brasil, especialmente após a crise financeira de 2008 nos EUA.
O presidente criticou o protecionismo norte-americano, defendendo que o Brasil deveria adotar tarifas contra produtos dos EUA, e não o contrário. Ele citou um déficit comercial acumulado de US$ 400 bilhões nos últimos 15 anos como motivo para reavaliar as políticas comerciais.
Sobre a proposta de moeda própria para o BRICS, Lula ressaltou que os países devem ter soberania para decidir com quais moedas realizar suas transações, sem depender exclusivamente do dólar. Ele questionou por que não seria possível negociar diretamente em moedas nacionais, como real e yuan, defendendo que o bloco debata a criação de uma moeda para comércio entre seus membros.
“Não queremos mexer com o dólar, é uma moeda importante e os EUA têm a máquina que a emite. Mas podemos discutir nos BRICS a necessidade de uma moeda para o comércio entre nós. Não recuso essa ideia porque preciso testá-la”, afirmou, lembrando que, em 2004, firmou um acordo com a Argentina para realizar transações em reais e pesos.
Ainda nesta terça-feira, Lula conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping, sobre o BRICS e oportunidades de negócios. De acordo com Pequim, Xi descreveu o bloco como “uma plataforma-chave para construir consenso no Sul Global” e defendeu que seus membros atuem juntos na defesa dos interesses legítimos das nações em desenvolvimento, bem como na preservação das normas internacionais. O líder chinês também reforçou que a China está disposta a cooperar com o Brasil para fortalecer a coordenação interna do BRICS, ampliar os resultados de cooperação e apoiar a soberania brasileira diante do unilateralismo e do protecionismo.
Da Agência Fonte Exclusiva.








