Uma sala, uma cadeira ou um objeto aparentemente comum pode esconder riscos para pessoas idosas dentro de casa. Para ajudar esse público a reconhecer essas situações, uma pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveu um jogo de realidade virtual que transforma a prevenção de quedas em uma experiência interativa.
Batizada de PrevineQuedas, a ferramenta foi criada a partir da tese de Jamylle Lucas Diniz, do programa de pós-graduação em Enfermagem da universidade. A proposta é apresentar, de maneira prática, situações que podem aumentar ou reduzir o risco de acidentes no ambiente doméstico.
A tecnologia também busca aproximar a educação em saúde da realidade vivenciada pelos próprios idosos, utilizando cenários que reproduzem situações encontradas no cotidiano.
Idosos ajudaram a desenvolver os cenários
A participação de pessoas idosas fez parte do desenvolvimento da ferramenta. Durante o processo, foram realizadas conversas para identificar quais cômodos e situações da casa poderiam apresentar maior risco de quedas.
Os participantes também contribuíram para a escolha dos móveis, objetos e outros elementos que deveriam aparecer nos ambientes virtuais.
“A gente discutiu, em vários momentos, os ambientes da casa em que mais acontecem as quedas, os objetos e os mobiliários que deveriam estar presentes nos cenários de risco de quedas ou os objetos que previnem as quedas dentro desse ambiente”, explicou Jamylle.
Dessa forma, o jogo foi construído levando em consideração não apenas conhecimentos técnicos sobre prevenção de acidentes, mas também as experiências e percepções do público que utilizará a ferramenta.
Usuário precisa encontrar situações de risco
No ambiente virtual, o jogador deve observar os cenários e procurar elementos que possam favorecer ou evitar uma queda.
A dinâmica pretende estimular a percepção de situações que muitas vezes fazem parte da rotina, mas podem representar um risco para pessoas idosas.
“Através da realidade virtual, o jogador precisa identificar esses elementos e, dessa forma, é estimulado a reconhecer situações que podem favorecer ou prevenir a queda dentro do ambiente domiciliar”, explicou a pesquisadora.
Para utilizar o PrevineQuedas, é necessário ter um smartphone, óculos de realidade virtual, o aplicativo desenvolvido para o jogo e uma cadeira giratória.
Tecnologia é usada como ferramenta de prevenção
A proposta está inserida no conceito de gerontecnologia, área que utiliza recursos tecnológicos para atender necessidades relacionadas ao envelhecimento.
No caso do PrevineQuedas, a realidade virtual é utilizada como recurso de educação em saúde. Em vez de apenas receber orientações sobre prevenção, o usuário é colocado diante de situações virtuais nas quais precisa observar o ambiente e tomar decisões.
A estratégia pode facilitar o reconhecimento de riscos que também estão presentes na residência e incentivar mudanças que contribuam para tornar o espaço mais seguro.
Pesquisa recebeu prêmio da Capes
O jogo faz parte da tese intitulada “Gerontecnologia do tipo jogo sério de realidade virtual para prevenção de quedas em pessoas idosas”.
O trabalho de Jamylle Lucas Diniz foi reconhecido no Prêmio Capes de Teses 2026, na área de avaliação de Enfermagem.
A pesquisa reúne tecnologia de realidade virtual e educação em saúde para trabalhar a prevenção de quedas de forma interativa. A expectativa é que a ferramenta contribua para ampliar a percepção dos idosos sobre os riscos presentes no ambiente doméstico e sobre medidas que podem ajudar a evitá-los.
*Da Agência Fonte Exclusiva








