O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) respondeu com veemência nesta terça-feira (26) às declarações do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser “antissemita declarado” e “apoiador do Hamas”.
Em nota oficial, o Itamaraty classificou as afirmações como “ofensas, inverdades e grosserias inaceitáveis” e cobrou que Katz assuma responsabilidade pelas ações militares israelenses em Gaza, incluindo o bombardeio ao hospital Nasser, que resultou em至少 20 mortos na segunda-feira (25).
O governo brasileiro destacou que Israel está sob investigação na Corte Internacional de Justiça por suposta violação da Convenção contra o Genocídio, e lembrou que as operações em Gaza já causaram a morte de 63 mil palestinos, um terço dos quais mulheres e crianças. “Espera-se do sr. Katz, em vez de habituais mentiras e agressões, que assuma responsabilidade e apure a verdade”, afirmou o Itamaraty.
A crise diplomática entre os países se intensificou com o anúncio de Israel de que rebaixará as relações com o Brasil, após o Itamaraty ignorar a indicação do embaixador Gali Dagan em janeiro. Em fevereiro, Lula já havia sido declarado persona non grata por Israel após comparar a situação em Gaza a um genocídio.
Katz também criticou a saída do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) em julho de 2025, medida que relacionou ao alinhamento com “regimes como o Irã”. O Itamaraty não comentou especificamente esse ponto, mas reiterou sua posção de defesa dos direitos humanos e condenação a todas as formas de discriminação.
Lula, em reunião ministerial no Planalto, reforçou suas críticas: “Crianças são assassinadas [em Gaza] como se estivessem em guerra”. O presidente também voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU para incluir países do Sul Global.
O conflito teve início com o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1,2 mil israelenses. A resposta militar de Israel já dura mais de dez meses, com graves consequências humanitárias em Gaza.
Da Agência Fonte Exclusiva.








