O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu uma nota oficial na noite desta terça-feira (9) condenando veementemente as declarações da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que sugeriu que os Estados Unidos poderiam usar “poderio econômico e militar” contra o Brasil em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
O Itamaraty classificou a ameaça como um “atentado à soberania” e reaffirmou que os Poderes da República não se intimidarão com interferências externas .
Declarações da Casa Branca
Durante coletiva de imprensa, Karoline Leavitt afirmou que a administração Trump prioriza a “liberdade de expressão” e não hesitaria em usar todos os recursos disponíveis, incluindo força militar, para protegê-la globalmente.
Ela mencionou explicitamente o julgamento de Bolsonaro como contexto, embora tenha destacado que não há “ações adicionais” previstas no momento . A Embaixada dos EUA no Brasil republicou trechos da fala de Leavitt nas redes sociais, gerando críticas generalizadas por interferência em assuntos internos brasileiros .
Contexto do Julgamento
A declaração ocorreu no mesmo dia em que o STF retomou o julgamento de Bolsonaro e outros sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Os ministros Alexandre de Moraes (relator) e Flávio Dino já votaram pela condenação, e a sessão foi suspensa aguardando os votos restantes de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin para quarta-feira (10).
O caso é central nas tensões entre os dois países, com o governo Trump impondo tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades do STF, incluindo Alexandre de Moraes, sob a alegação de “perseguição política” .
Reações Brasileiras
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Presidente Lula: Em discurso em Manaus, criticou a “articulação de forças antidemocráticas” que buscam instrumentalizar governos estrangeiros contra o Brasil .
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Ministra Gleisi Hoffmann: Acusou a família Bolsonaro de conduzir uma “conspiração” e afirmou que a ameaça de invasão é “inadmissível” .
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Itamaraty: Reiterou que a defesa da democracia e da vontade popular é primordial, repudiando qualquer tentativa de coerção às instituições nacionais .
Implicações Internacionais
A postura dos EUA é vista como uma escalada perigosa nas relações bilaterais, tradicionalmente estáveis. Analistas alertam que a retórica belicosa pode isolardiplomaticamente os Estados Unidos na América Latina e comprometer esforços de cooperação regional. O Itamaraty destacou que o Brasil manterá seu compromisso com o direito internacional e a autodeterminação dos povos .
Próximos Passos
O governo brasileiro deve buscar apoio em fóruns multilaterais, como a ONU e a CELAC, para condenar publicamente as ameaças dos EUA. Internamente, espera-se que o STF prossiga com o julgamento de Bolsonaro sem influências externas, reforçando a independência do Judiciário .
A soberania brasileira não é negociável, e a resposta firme do Itamaraty reflete a determinação do país em proteger sua democracia contra interferências, seja por meio de sanções econômicas ou ameaças militares.
Da Agência Fonte Exclusiva.








