A idade avançada, por si só, não impede uma pessoa de doar um órgão em vida. O que determina se o procedimento pode ser realizado é uma avaliação detalhada da saúde do possível doador e dos riscos envolvidos.
A história de Arivaldo Pereira Sampaio mostra isso na prática. Aos 69 anos, ele descobriu que era compatível com o filho Alysson, que enfrentava insuficiência renal e dependia de hemodiálise.
Após uma série de exames no Hospital Universitário de Brasília (HUB), Arivaldo foi considerado apto e doou um dos rins ao filho. O transplante foi realizado em setembro de 2024. Hoje, Alysson segue sem precisar de hemodiálise, enquanto o pai mantém uma rotina ativa, com musculação, corrida e acompanhamento médico periódico.
Quem pode doar em vida?
Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa adulta, juridicamente capaz e em boas condições de saúde pode ser doadora em vida desde que a retirada do órgão não coloque sua própria saúde em risco.
É possível doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão e parte da medula óssea. A compatibilidade entre doador e receptor é avaliada pela equipe responsável pelo transplante.
No caso de parentes consanguíneos de até quarto grau e de cônjuges, a legislação permite a doação sem autorização judicial. Quando não existe esse vínculo familiar, a doação de órgãos pode depender de autorização da Justiça.
Mais atenção após os 60 anos
Não existe uma idade máxima única que exclua automaticamente um possível doador vivo. Nos idosos, porém, a investigação tende a ser mais rigorosa.
A equipe médica verifica função renal, pressão arterial, exames de sangue e urina, condições cardiovasculares e exames de imagem, além de doenças como diabetes e hipertensão.
O objetivo é avaliar não apenas se a cirurgia pode ser realizada com segurança, mas também se o doador terá boas condições de saúde no futuro vivendo, no caso da doação renal, com apenas um rim.
Brasil bateu recorde de doadores
O Brasil registrou 4.335 doadores efetivos em 2025, o equivalente a 20,3 doadores por milhão de habitantes. Foi o maior número já registrado no país.
Mesmo assim, a demanda continua alta. Dados recentes do Sistema Nacional de Transplantes apontam que cerca de 49,5 mil pessoas aguardam por um órgão no país.
A experiência de Arivaldo reforça uma orientação dos especialistas: quem tem mais de 60 anos e deseja doar não deve se considerar automaticamente fora do processo. A decisão só pode ser tomada depois de uma avaliação individual realizada por uma equipe de transplantes.
*Da Agência Fonte Exclusiva








