Um hotel em Belém que aumentou o valor da diária em 80 vezes para a COP30 — de R$ 70 para R$ 5.670 — não conseguiu fechar nenhuma reserva até o momento.
O estabelecimento, rebatizado de “Hotel COP30” após a cidade ser escolhida como sede da conferência climática da ONU em novembro, agora tenta alugar o prédio inteiro para delegações estrangeiras, mas esbarra na resistência causada pelos preços abusivos.
Com pouco mais de dois meses para o evento, a disparada nos valores preocupa organizadores e ameaça a inclusividade do encontro, que deve reunir 50 mil pessoas na capital paraense.
Proprietários e hoteleiros locais veem a COP30 como uma oportunidade única de lucro, mas a especulação imobiliária levou países a sugerirem a mudança da sede e a ONU a pedir subsídios — recusados pelo governo brasileiro.
Até agora, apenas 68 dos 198 países participantes pagaram suas reservas, um atraso incomum para um evento internacional dessa magnitude. Enquanto isso, o governo do Pará tenta “combater as abusividades” com um grupo de trabalho, mas admite desafios.
Alternativas como navios-hotel (com 6 mil leitos a 20 km do centro de convenções) e plataformas como Airbnb registram queda de preços, mas diárias acessíveis (próximas a US$ 100, como recomenda a ONU para delegações de baixo orçamento) ainda são raras.
O debate sobre hospedagem, segundo ambientalistas, desvia a atenção do foco real da COP30: metas climáticas, financiamento e o futuro dos combustíveis fósseis. A menos que se resolva a crise de acomodações, a conferência pode ser a menos inclusiva da história.
Da Agência Fonte Exclusiva.








