Mais de 4,1 mil litros de cachaça foram retirados de circulação após serem encontrados em recipientes originalmente destinados ao armazenamento de produtos agrotóxicos. A apreensão ocorreu durante uma fiscalização na BR-381, no município de Oliveira, na região centro-oeste de Minas Gerais.
A bebida estava distribuída em 208 galões plásticos com capacidade para 20 litros cada. A operação foi realizada de forma conjunta pela Polícia Rodoviária Federal, pelo Ministério Público, pelo Instituto Mineiro de Agropecuária e pela Vigilância Sanitária municipal.
Durante a inspeção, os agentes constataram que as embalagens apresentavam advertências sobre a proibição de reutilização. Os galões também continham orientações para a realização da tríplice lavagem, procedimento utilizado para reduzir resíduos de defensivos agrícolas antes da destinação adequada dos recipientes.
Risco de contaminação química
O armazenamento de bebidas em embalagens utilizadas anteriormente para agrotóxicos representa um grave risco sanitário. Mesmo depois da lavagem, resíduos químicos podem permanecer no plástico e contaminar o produto destinado ao consumo humano.
A exposição a essas substâncias pode provocar intoxicações e outros danos à saúde, dependendo da composição do agrotóxico, da quantidade presente no recipiente e do período de contato com a bebida.
Diante da irregularidade, toda a carga foi apreendida e retirada de circulação. O Instituto Mineiro de Agropecuária também autuou os responsáveis pelo uso e pela destinação inadequada das embalagens.
A fiscalização deverá apurar a origem da cachaça, o destino da carga e as condições em que o produto foi armazenado e transportado.
Caso reforça alerta sobre bebidas sem procedência
A ocorrência aumenta a preocupação das autoridades com a produção, o transporte e a venda de bebidas alcoólicas sem controle sanitário.
Produtos comercializados sem identificação adequada, registro ou comprovação de procedência podem apresentar adulteração, contaminação e condições impróprias de armazenamento.
Além dos riscos provocados pelos recipientes, bebidas clandestinas podem conter substâncias não autorizadas ou apresentar composição diferente da informada ao consumidor.
Fábrica clandestina foi fechada em Uberaba
A apreensão em Oliveira ocorreu cerca de um mês depois de outra operação contra a fabricação irregular de cachaça em Minas Gerais.
Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, uma fábrica clandestina foi interditada durante uma ação coordenada pelo Ministério Público de Minas Gerais com a participação de outros órgãos fiscalizadores.
No estabelecimento, foram encontrados mais de 3,6 mil litros de bebida produzidos em condições consideradas insalubres.
Os responsáveis pelo local também não apresentaram documentos que comprovassem a origem da matéria-prima utilizada na produção.
Cachaças falsificadas eram vendidas como produto de Salinas
Durante a fiscalização em Uberaba, os agentes identificaram bebidas falsificadas que eram comercializadas como se tivessem sido produzidas em Salinas.
O município do Norte de Minas é conhecido nacionalmente pela tradição na produção de cachaça. A utilização indevida da origem pode enganar consumidores e prejudicar produtores legalizados da região.
As irregularidades encontradas nas duas operações reforçam a necessidade de fiscalização em todas as etapas da cadeia, desde a fabricação até o transporte e a comercialização.
Consumidor deve verificar rótulo e procedência
A orientação é que os consumidores evitem comprar bebidas vendidas em recipientes improvisados, sem lacre ou sem identificação do fabricante.
Antes da compra, é importante observar o estado da embalagem, a presença de rótulo, o registro do produto, o prazo de validade e as informações sobre a origem.
Também devem ser evitadas bebidas com alteração de cor, cheiro, sabor ou presença de partículas. Preços muito abaixo dos praticados no mercado podem indicar falsificação ou produção clandestina.
Produtos suspeitos não devem ser consumidos. A irregularidade pode ser denunciada à Vigilância Sanitária, aos órgãos de defesa do consumidor ou às autoridades responsáveis pela fiscalização agropecuária.
*Da Agência Fonte Exclusiva








