A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou, em parceria com o Movimento Negro Unificado do Rio de Janeiro, uma cartilha voltada à promoção da saúde sob uma perspectiva antirracista.
O material tem como público-alvo moradores e profissionais que atuam em favelas e periferias, com orientações sobre como identificar e enfrentar situações de racismo em espaços como unidades de saúde, escolas e serviços públicos.
A iniciativa aposta no acesso à informação como ferramenta central no combate às desigualdades. Segundo o advogado Marcelo Dias, ampliar o letramento racial é fundamental para que a população compreenda que a falta de acesso a direitos básicos — como saneamento, saúde, educação e lazer — também está ligada a estruturas de discriminação.
A cartilha reúne orientações práticas, reflexões e contribuições de especialistas das áreas de saúde, educação e segurança, além de relatos de moradores.
Com linguagem acessível, o objetivo é facilitar o entendimento e incentivar o uso do conteúdo no dia a dia das comunidades. O material já está disponível gratuitamente na internet.
O lançamento integra um conjunto mais amplo de ações do projeto, que prevê a distribuição de versões impressas em postos de saúde e escolas de sete favelas, além da formação de promotores populares de saúde com foco antirracista.
A proposta é ampliar o debate e estimular práticas mais igualitárias, fortalecendo a defesa dos direitos humanos.
Pesquisadores destacam que as desigualdades atuais têm raízes históricas. A doutoranda em saúde pública Cristiane Vicente ressalta que os efeitos da escravidão ainda impactam o acesso a serviços, oportunidades de trabalho e a qualidade de vida da população negra.
Ao longo de 2025, o projeto enfrentou dificuldades para avançar em algumas regiões devido a operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense, que afetaram a rotina local, com interrupções de aulas e fechamento temporário de unidades de saúde.
Intitulada “Saúde na Favela numa perspectiva antirracista”, a cartilha pode ser acessada gratuitamente no site da Fiocruz e faz parte de um esforço contínuo para promover equidade e conscientização em territórios vulneráveis.
*Da Agência Fonte Exclusiva








