A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS retoma seus trabalhos na terça-feira (26) em uma reunião que definirá seu rumo. Com a pauta carregada, os parlamentares votarão o plano de trabalho e a primeira leva de requerimentos, que revelam a estratégia da oposição: mirar o alto escalão do governo, incluindo o irmão do presidente Lula, ministros e o ex-ministro Carlos Lupi.
Até o momento, foram protocolados mais de 800 pedidos, que incluem convocações obrigatórias e quebras de sigilo. O foco oposicionista recai sobre José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula e dirigente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados), entidade envolvida no suposto esquema de descontos ilegais. Ao menos oito requerimentos miram Frei Chico, seis deles pedindo sua convocação, incluindo um de autoria do próprio relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Outro alvo central é Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, sócio de 22 empresas suspeitas de participação no esquema e alvo de 12 pedidos de convocação. A oposição também protocolou pedidos para ouvir os ministros Wolney Queiroz (Previdência), Ricardo Lewandowski (Justiça), Jorge Messias (AGU) e Vinícius Marques de Carvalho (CGU).
O ex-ministro Carlos Lupi, que deixou a Previdência após a divulgação das fraudes, é prioridade absoluta, sendo alvo de 15 requerimentos (11 de convocação e 4 de quebra de sigilo). Com a presidência e a relatoria da comissão nas mãos de nomes alinhados à oposição, a tendência é que esses pedidos sejam pautados.
Governo joga defensivo
A base governista, que alega ter maioria no colegiado, admite falhas na articulação e terá que conter os avanços da oposição durante as votações. Para um pedido ser efetivado, ele precisa ser aprovado pelos membros da CPMI.
Na primeira reunião deliberativa, estão previstos 35 pedidos de votação, incluindo a convocação dos ex-ministros da Previdência Carlos Lupi, Carlos Eduardo Gabas e José Carlos Oliveira, além de dez ex-presidentes do INSS e representantes de órgãos de controle como PF e CGU.
A CPMI foi instaurada para investigar um suposto esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários, que teria movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, conforme apurado pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União.
Da Agência Fonte Exclusiva.








