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Caso Henry tem interrogatório de 12 horas, discussões e pedido de representação contra juíza

Ânimos exaltados entre advogados, assistente de acusação e até com a juíza fizeram com que policiais militares que fazem a segurança da sessão tivessem que intervir

redacao Por redacao
02/06/2022 - 07:53
em Brasil
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Caso Henry: interrogatório de peritos dura 12 horas, tem discussões e pedido de representação contra juíza

Dalledone (de frente e de terno) encara Cristiano Rocha — Foto: Reprodução

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Durou 12 horas a sessão que serviu para interrogar o perito do Instituto Médico Legal, Leonardo Tauil, que fez a necropsia em Henry Borel, e para questionar o perito assistente da defesa de Dr. Jairinho, Sami El Jundi, na quarta-feira (1º), no Rio.

Além de cansativa pela quantidade de horas, a sessão foi marcada ainda por alguns bate-bocas e ânimos exaltados entre os advogados presentes e a juíza do caso, Elizabeth Machado Louro.

O primeiro embate aconteceu durante o depoimento de Tauil, o advogado Cláudio Dalledone, que defende Jairinho, e o assistente de acusação Cristiano Medina da Rocha, que representa Leniel Borel, se estranharam algumas vezes.

O primeiro mal-estar aconteceu quando Cristiano Rocha questionou a falta de objetividade de Dalledone ao interrogar Tauil.

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Ele retrucou e falou para o colega baixar o tom para falar com ele, e ouviu de Rocha: “Falo como eu quiser”.

O tom subiu e policiais militares e seguranças presentes no plenário do II Tribunal do Júri precisaram intervir para evitar a aproximação dos dois.

Depois, já no fim da manhã, foi a vez de Dalledone questionar um comentário que a promotora Bianca Chagas havia feito com a juíza Elizabeth Machado Louro.

Ele foi rechaçado pela magistrada que disse que, se fosse algo importante, a defesa de Jairinho seria comunicada.

Caso Henry Borel
Juíza do caso Henry Borel | Imagem do G1

Discussão também com a juíza

Um pouco antes do almoço, após os questionamentos da assistência de acusação, a juíza Elizabeth Machado Louro, pediu para fazer algumas perguntas ao perito Tauil.

Em uma das conduções, ela perguntou se Tauil achava que Henry podia ter batido a cabeça três vezes no chão, fruto de uma queda, no que o perito respondeu que era extremamente improvável.

“Só se fosse uma bola de vôlei e ficasse quicando”, comentou a magistrada, o que provocou a intervenção do advogado de Jairinho.

“Excelência, pela ordem. A senhora não pode tecer esse tipo de comentário”, disse Dalledone.

“Posso, sim. Estou no uso das minhas prerrogativas, estou presidindo o ato e posso fazer a pergunta que eu quiser”, retrucou Elizabeth Machado Louro.

“Eu vou pedir a suspeição de vossa excelência”, devolveu Dalledone.

“Se o senhor continuar, o senhor vai sair daqui”, disse a juíza.

“Vai me prender?”, questionou Dalledone.

“Não! Vou colocar o senhor para fora do plenário”, disse a magistrada.

Cláudio Dalledone, advogado de Jairinho, disse que vai pedir nova suspeição da juíza — Foto: Brunno Dantas/Felipe Cavalcanti/TJRJ

Nesse momento, os policiais militares e seguranças já estavam de pé se colocando na frente dos advogados para tentar afastar e manter a ordem. A juíza fez mais duas perguntas e encerrou a sessão para o almoço, às 15h10.

Laudos do perito foram questionados

Para além das confusões, os laudos do perito Leonardo Huber Tauil foram extremamente questionados e apontados como vagos.

Aparentando certo nervosismo, ele foi sucinto ao responder as questões formuladas pelos advogados de Jairinho, mas afirmou categoricamente que a morte de Henry foi causada pela laceração hepática por ação contundente.

O perito que assinou o laudo de Henry, Leonardo Tauil — Foto: Brunno Dantas/Felipe Cavalcanti/TJRJ

Morte de Henry teria acontecido em hospital

Já o perito Sami El Jundi, contratado pela defesa de Jairinho como assistente técnico, reiterou que a morte de Henry aconteceu no hospital Barra D’or, onde a criança foi atendida, e teria sido fruto de manobra de ressuscitação malfeita.

Ele analisou cada uma das 23 lesões encontradas no corpo de Henry, disse que as externas tinham correspondências com manipulação médica e, as internas, com lesões que poderiam ter sido provocadas por massagem cardíaca.

Sami El Jundi disse ainda que agressões provocadas por chutes ou socos deixariam grandes marcas de equimoses, o que não foi encontrado em Henry.

A única lesão para a qual Sami não teve explicação seria a da cabeça, uma infiltração hemorrágica na cabeça, na região parietal e occipital, a qual ele creditou hipoteticamente a um possível tombo da cama, mas de um “momento angular diferente”.

Nova confusão

A parte da tarde/noite da sessão também foi marcada por mais confusão no plenário.

O assistente técnico da acusação Cristiano Medina da Rocha reclamou que um o advogado de Jairinho, Renan Pacheco, estaria fazendo perguntas e dando risadas.

“Aqui não é palco de lamentações. Deixe esse jovem advogado trabalhar”, retrucou Renan, que foi repreendido pela juíza.

“Para além da questão, que tem pessoas aqui que se incomodam, qualquer piada que o senhor fizer a essa hora, não vai provocar riso. A gente está muito cansado”, disse.

O advogado disse que não era piada e a juíza devolveu: “O senhor perguntou se tem fígado do lado esquerdo. Isso para mim é piada. Está falando em meio morto, meio grávido. Não tem graça”, disse.

Um confusão entre os advogados se forma, e a juíza Elizabeth Machado Louro deixa o plenário por alguns minutos, o que provoca a indignação da defesa de Jairinho. O advogado Cláudio Dalledone fala em desrespeito e que quer uma representação sobre essa saída.

Ele pede que a situação conste nos autos, dita uma queixa, e, ao voltar ao plenário, a magistrada faz o mesmo e diz que a situação é fruto de “provocações reiteradas e ameaças recorrentes no que concerne a sua imparcialidade”.

Caso Matsunaga

O promotor do Ministério Público, Fábio Vieira, interrogou brevemente o perito contratado por Jairinho e perguntou se ele tinha licença para prestar consultoria no Rio de Janeiro, sendo que é do Rio Grande do Sul.

Sami El Jundi disse que esse tipo de questão já tinha sido levantada quando ele foi consultor do caso Matsunaga, e que ele já tinha sido liberado pelo Conselho Regional de Medicina do Sul para prestar esse tipo de consultoria sem licença.

O promotor rebateu que o caso Henry era outro e que ia pedir uma avaliação do Conselho Regional do Rio para saber se ele estava infringindo alguma lei.

A assistente da promotoria Bianca Chagas também questionou como Sami El Jundi poderia ter tanta certeza de que a morte de Henry foi provocada no hospital em que recebeu atendimento, e não em casa, e Sami disse ter essa conclusão pelos laudos do hospital.

A sessão foi encerrada às 23h18 com a defesa de Jairinho pedido novos depoimentos das médicas que atenderam Henry, depoimento do radiologista que fez uma radiografia no menino e uma folha faltante no prontuário. O MP manifestou-se contrário e disse que todas as oitivas já foram feitas de forma satisfatória.

Jairinho Magro

Jairinho foi autorizado pela Justiça a acompanhar a sessão por videoconferência — Foto: Brunno Dantas/Felipe Cavalcanti/TJRJ

A audiência da quarta-feira (1º) serviu também para mostrar como está Dr. Jairinho um ano depois de preso.

Por meio de uma imagem de videoconferência, como foi autorizada a sua participação na audiência, foi possível ver o ex-parlamentar mais magro, sem barba e bigode, e com os cabelos mais curtos – esses últimos protocolos propostos pela Secretaria de Administração Penitenciária para manter a higiene no ambiente com muitos presos.

Jairinho teria perdido cerca de 10 quilos durante a estada em Bangu 8, onde está preso. O ex-vereador será reinterrogado no dia

Monique Medeiros, que cumpre prisão domiciliar, foi liberada de participar da audiência por não ter mais o que acrescentar.

Relembre o caso

Henry Borel morreu no dia 8 de março de 2021, em decorrência de uma hemorragia interna por laceração hepática por ação contundente, segundo o laudo complementar de necropsia do IML. O laudo também revela que o corpo do menino tinha 23 lesões.

Jairinho e Monique são réus pela morte do menino. De acordo com as investigações, a criança morreu por conta de agressões do padrasto e pela omissão da mãe.

Jairinho foi denunciado por:

homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, tortura e impossibilidade de defesa da vítima), com aumento de pena por se tratar de menor de 14 anos;
tortura;
coação de testemunha.

Monique foi denunciada por:

homicídio triplamente qualificado na forma omissiva imprópria, com aumento de pena por se tratar de menor de 14 anos;
tortura omissiva;
falsidade ideológica;
coação de testemunha.

As informações são do g1.

Tags: #Caso Henry Borel#Dr. Jairinho#Monique Medeiros
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