As dificuldades financeiras das Casas Bahia se agravaram e levaram a varejista a buscar novamente a Justiça para reorganizar suas obrigações.
No fim de domingo (16), a companhia apresentou um pedido de recuperação judicial após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo nesta segunda-feira (17).
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informou que a decisão está relacionada à piora de sua situação financeira. Entre os fatores citados estão os juros elevados, as restrições no acesso ao crédito, o crescimento das despesas financeiras e a pressão sobre o consumo.
Pedido envolve outras empresas do grupo
A solicitação apresentada à Justiça não contempla somente a principal companhia das Casas Bahia. Outras nove empresas ligadas às operações do grupo também foram incluídas no processo.
Entre as companhias relacionadas estão a Cnova Comércio Eletrônico, a Casas Bahia Tecnologia e a Indústria de Móveis Bartira.
A nova medida ocorre cerca de dois anos depois de a varejista ter recorrido a uma recuperação extrajudicial para renegociar compromissos. Na ocasião, as dívidas envolvidas no processo eram estimadas em aproximadamente R$ 4,1 bilhões.
A adoção da recuperação judicial representa uma nova etapa na tentativa de reorganizar as finanças do grupo, diante do agravamento das dificuldades enfrentadas pela empresa.
Conselho aprovou decisão
O Conselho de Administração das Casas Bahia aprovou o pedido de recuperação judicial durante reunião realizada no domingo (16).
A companhia também deverá convocar uma assembleia de acionistas para discutir os próximos procedimentos relacionados à reestruturação.
A reunião do conselho ainda resultou em mudanças na administração da empresa. Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres deixaram suas posições no Conselho de Administração.
Fabio Spina, que exercia a função de diretor vice-presidente Jurídico e Tributário, também apresentou sua renúncia ao cargo.
Reestruturação busca preservar operações
A recuperação judicial é utilizada como instrumento para permitir a reorganização de empresas que enfrentam dificuldades para cumprir suas obrigações financeiras. No caso das Casas Bahia, o processo deverá envolver a negociação das dívidas e a definição de medidas voltadas à recuperação do equilíbrio financeiro.
A situação ocorre em um período de pressão sobre o setor varejista, que enfrenta custos elevados de financiamento e condições mais restritivas para obtenção de crédito.
Para a companhia, a combinação de juros altos, aumento das despesas financeiras, dificuldades de acesso a recursos e menor capacidade de consumo contribuiu para ampliar a pressão sobre as contas.
Com o pedido apresentado à Justiça, a empresa inicia uma nova fase de sua reestruturação financeira, que deverá definir os caminhos para a renegociação das obrigações e a continuidade das operações do grupo.
*Da Agência Fonte Exclusiva








