A possível aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, dos Estados Unidos, foi recebida com otimismo e interpretada como uma jogada de “inteligência política” por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Para bolsonaristas, o anúncio de um futuro encontro, feito por Trump após discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23), é uma manobra calculada para aumentar a pressão sobre o governo Lula em favor de uma anistia ampla aos condenados pelo golpe de Estado de 2023.
A reação mais destacada partiu do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA. Em suas redes sociais, ele defendeu que a estratégia de Trump seria “elevar a tensão, aplicar pressão e, em seguida, reposicionar-se com ainda mais força”.
O parlamentar citou como exemplo a sanção aplicada pelo Departamento de Estado americano, na segunda-feira (22), contra Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes – relator do processo que condenou Bolsonaro.
“Depois disso, [Trump] sorriu e mostra-se aberto a dialogar em uma posição infinitamente mais confortável. É a marca registrada de Trump: firmeza estratégica combinada com inteligência política”, escreveu Eduardo. “Entende porque confiamos na anistia ampla, geral e irrestrita?”
Contexto de pressão
A análise do deputado ocorre em um momento de tensão pessoal. Nesta terça, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), barrou a indicação de Eduardo Bolsonaro para o cargo de líder da minoria. O posto permitiria que suas faltas fossem justificadas, mas Motta argumentou que o “afastamento não comunicado do território nacional constitui violação ao dever funcional”. O parlamentar pode perder o mandato por excesso de faltas não justificadas.
Além disso, o próprio Eduardo Bolsonaro foi denunciado pela PGR por coação no curso do processo, acusado de articular sanções internacionais para influenciar o julgamento de seu pai.
Eco nas redes
A visão de uma jogada estratégica de Trump foi ecoada pelo empresário e influenciador Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, que também foi alvo de denúncia da PGR. “Deixou o presidente brasileiro numa situação impossível: ter que ir para a mesa de negociação ouvir verdades. Entenderam que a anistia será ampla, geral e irrestrita?”, publicou.
Já o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) classificou o discurso de Trump na ONU como “uma verdadeira lição de soberania nacional”.
As declarações ocorrem em um cenário de mobilização social. No último domingo (21), manifestações em várias capitais brasileiras protestaram contra a PEC da Blindagem e qualquer possibilidade de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado.
Da Agência Fonte Exclusiva.








