O submarino Almirante Karam, novo integrante da Marinha do Brasil, avançou mais uma etapa antes de entrar oficialmente em serviço. A embarcação realizou a primeira imersão estática nas proximidades do Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, como parte dos testes necessários para a certificação do submarino.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (29). A previsão da Marinha é que o Almirante Karam comece a operar oficialmente no segundo semestre de 2027.
Na imersão estática, o submarino permanece sem acionar o sistema de propulsão. Os tanques de lastro são preenchidos gradualmente e de forma controlada até que a embarcação alcance as condições definidas pelos técnicos para a avaliação.
O procedimento permite verificar aspectos como a estanqueidade do casco, o equilíbrio e a estabilidade da estrutura. Também são analisadas as respostas do submarino diante de mudanças na distribuição de peso e na inclinação.
Os dados obtidos são comparados com os parâmetros definidos durante o projeto. Como pequenas diferenças na distribuição de peso podem alterar o comportamento de uma embarcação na água, os testes são realizados individualmente em cada submarino.
Embarcação pode passar dos 200 metros de profundidade
O Almirante Karam possui 72 metros de comprimento, dimensão semelhante à altura de um prédio de aproximadamente 24 andares. A embarcação foi projetada para operar com uma tripulação de até 42 militares e permanecer submersa por períodos que podem chegar a 70 dias, dependendo da missão.
O submarino também foi desenvolvido para alcançar profundidades superiores a 200 metros.
Segundo o comandante do Almirante Karam, capitão de corveta Leandro Amaral, essa capacidade representa uma ampliação das possibilidades operacionais da Força de Submarinos da Marinha.
Silêncio é um dos principais recursos
A capacidade de operar com baixo nível de ruído é outro aspecto importante do projeto. Em uma embarcação militar desse tipo, a redução das emissões sonoras dificulta a detecção por outros sistemas e contribui para a permanência do submarino em sigilo durante as operações.
O Almirante Karam também possui sistemas que permitem o emprego de diferentes tipos de armamentos, incluindo torpedos, mísseis e minas.
Testes continuam antes da operação
A primeira imersão estática representa apenas uma das etapas do processo de avaliação do submarino. Antes da entrada oficial em serviço, a Marinha ainda realizará outros testes para verificar o funcionamento da embarcação em diferentes situações.
Entre os procedimentos estão avaliações de navegação, imersão dinâmica, propulsão, operação dos lemes, comunicação, sistemas de navegação e equipamentos de detecção.
Também estão previstas avaliações em maiores profundidades e testes relacionados aos sistemas de armas. A conclusão dessas etapas será necessária para a certificação do submarino.
Quarto integrante da Classe Riachuelo
O Almirante Karam foi construído dentro do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) e é o quarto submarino da Classe Riachuelo.
O projeto tem como base o modelo francês Scorpène, mas recebeu modificações para atender às necessidades da Marinha brasileira, incluindo alterações estruturais e recursos destinados a ampliar a autonomia da embarcação.
Com a conclusão do Almirante Karam, a Classe Riachuelo passa a ser formada pelos submarinos Riachuelo (S40), Humaitá (S41), Tonelero (S42) e Almirante Karam.
A previsão é que, após a conclusão dos testes e das etapas de certificação, o novo submarino seja incorporado oficialmente às operações da Marinha no segundo semestre de 2027.
*Da Agência Fonte Exclusiva








