A cobrança de pênaltis, apesar de ser uma ação tecnicamente treinada de forma recorrente no futebol profissional, pode se tornar um dos momentos mais decisivos e imprevisíveis de uma partida quando inserida em cenários de alta pressão emocional.
Em situações como finais de campeonato ou jogos eliminatórios, mesmo atletas experientes podem apresentar quedas de desempenho e cometer erros incomuns.
Casos marcantes ajudam a ilustrar esse fenômeno. Um dos episódios mais lembrados ocorreu na final da Copa do Mundo de 1994, quando o italiano Roberto Baggio desperdiçou a cobrança que sacramentou o tetracampeonato da Seleção Brasileira.
Em competições mais recentes, falhas em cobranças decisivas também estiveram associadas à eliminação da Alemanha, com jogadores como Kai Havertz, Jonathan Tah e Nick Woltemade não convertendo pênaltis em momentos cruciais.
O comportamento sob pressão é tema recorrente de estudo na psicologia do esporte. Pesquisas buscam compreender por que habilidades altamente automatizadas podem ser comprometidas em contextos decisivos.
Um estudo publicado no Journal of Sports Sciences, da editora Taylor & Francis, analisou o impacto de diferentes níveis de pressão na execução de pênaltis.
No experimento, atletas foram submetidos a cenários simulados de baixa e alta pressão. Antes das cobranças, os participantes relataram níveis de ansiedade, enquanto variáveis fisiológicas como frequência cardíaca e respiratória foram monitoradas.
Os resultados indicaram aumento significativo da ansiedade cognitiva em situações de maior pressão, caracterizada por pensamentos intrusivos e preocupação excessiva com o resultado.
Esse estado psicológico teve efeito direto na precisão dos chutes, que apresentaram maior dispersão em relação ao alvo sob condições de estresse. Segundo os pesquisadores, a queda de desempenho ocorre principalmente pela divisão de atenção entre a execução técnica e fatores externos ou internos, como expectativa da torcida e medo de falhar.
Esse fenômeno é conhecido na literatura científica como “choking under pressure”, expressão que descreve a perda de desempenho em situações de alta pressão psicológica. Ele está associado à sobrecarga da memória de trabalho e à interferência na execução de movimentos automatizados.
Estudos comparativos também indicam diferenças significativas entre seleções em disputas de pênaltis ao longo do tempo. Entre 1982 e 2006, a Alemanha apresentou alto índice de aproveitamento em decisões por penalidades em competições internacionais, enquanto a Inglaterra registrou desempenho inferior em recortes entre 1996 e 2012.
Especialistas apontam que fatores técnicos e psicológicos combinados ajudam a explicar essas variações de rendimento em momentos decisivos do futebol.
*Da Agência Fonte Exclusiva








