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“Gordiola”: técnico do Ceará vence barreiras e ajuda a quebrar preconceitos

redacao Por redacao
03/10/2020 - 11:14
em Esporte
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Guto Ferreira Gordiola técnico do ceará

técnico do Ceará afirma que já foi rejeitado por seu peso (foto: divulgação)

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Folha de São Paulo – Mais de uma vez, Augusto Sérgio Ferreira, 55, não conseguiu o emprego que esperava. Ele era um dos nomes que poderiam ser contratados, e seu empresário exaltava os méritos do treinador para os cartolas. Mas não dava certo. Depois vinha a explicação.

“Ele [o agente] dizia que tal time não havia me contratado por causa do meu peso. Creio ser uma questão de imagem. Os dirigentes queriam agregar a imagem do clube a um cara saradão”, afirma Guto Ferreira, 55, hoje treinador do Ceará.

Neste sábado (2), às 19h, a equipe visita o Palmeiras pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro, com transmissão do Premiere e da TNT. Está em 12º lugar na classificação e vem de 24 partidas em sequência, sem descanso no meio ou aos finais de semana. Desde que o futebol voltou da interrupção causada pela pandemia da Covid-19, em julho, Ferreira não teve uma semana livre para treinos.

Houve um tempo em que ser preterido por causa do peso (que ele não revela) o preocupou. Hoje, não mais. O treinador abraçou a personalidade de sujeito bonachão e fora dos padrões físicos esperados no esporte. Mas que dá resultados.

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Desde 2015, ele conquistou títulos em todos os anos. Em 2020, já foi campeão da Copa do Nordeste. Antes disso, ganhou o Pernambucano (em 2019, pelo Sport), o Baiano (2018, pelo Bahia), outra Copa do Nordeste (2017, pelo Bahia), o Catarinense (2016, pela Chapecoense) e o troféu do interior do Paulista (2015, pela Ponte Preta). Nesta década, só em 2014 não levantou um troféu.

Nada mal para o técnico que assumiu um apelido que poderia ser maldoso, mas que se tornou bem-humorado por causa dos seus trabalhos recentes: “Gordiola”, em alusão a Pep Guardiola, hoje no Manchester City (ING).

“[Meu desempenho] Quebrou muitos paradigmas, acabou com muito preconceito, provocou a aceitação do meu nome no mercado. Mudou aos poucos eventuais maneiras que eu era encarado. Ficou uma coisa mais leve e simpática. É usado de forma carinhosa. É bom que não conseguiram usar de maneira pejorativa. Isso é sinal que tem realização em campo”, diz.

Ele destaca que pessoas fora do peso considerado ideal representam uma parcela muito grande da sociedade. “Se eu for esquentar a cabeça com isso… De alguma maneira, os gordinhos se sentem representados por mim. Digo isso porque a gente escuta muito dos torcedores. Principalmente dos gordinhos. É um orgulho que tenho.”

O Ceará tenta capitalizar essa imagem do técnico. Lançou uma almofada para ser usada nas arquibancadas (quando o público voltar aos estádios) com a imagem do treinador e batizada de Gutinho. No vídeo de lançamento nas redes sociais do clube, o próprio Guto Ferreira participa.

“Foi uma sacada legal, mas só aconteceu porque tenho algum tipo de identidade com o torcedor. O cearense tem muito bom humor, encara como brincadeira essa questão de ser fofinho. É uma valorização da marca Ceará e da minha marca também”, afirma o técnico, para ressaltar em seguida que isso tudo só é possível por causa do desempenho do time.

Por isso que ele se preocupa com a sequência de jogos. Apenas em novembro o elenco terá alguns dias de descanso no meio de semana. Além do Brasileiro, o Ceará ainda fará o segundo jogo da decisão do Estadual e está vivo na Copa do Brasil.

Para Guto Ferreira, os gols sofridos nos minutos finais são um sinal claro do cansaço físico. Em 2 dos últimos 3 jogos, sua defesa foi vazada nos acréscimos.

“Temos um grupo de qualidade. Colocamos um [jogador], tiramos outro, mas a conta chega. O desgaste é enorme. A tabela nos prejudica, nos faz jogar com menos de 72 horas de repouso entre uma partida e outra. As equipes do Ceará são as que mais viajam”, reclama.

Ele reconhece que, por causa desse fator, muitas vezes o departamento de fisiologia escala ou tira da equipe alguns jogadores. Não adianta forçar a barra.

Em 18 anos como técnico de elencos profissionais, Guto Ferreira trabalhou em 17 equipes diferentes. Entre os considerados grandes do país, dirigiu apenas o Internacional, duas vezes. A última foi em 2017, na Série B.

Ele era o treinador da Portuguesa em 2013 quando aconteceu o caso Héverton, a escalação do meia de forma irregular na última rodada. Isso fez com que o time perdesse pontos e acabasse rebaixado. Um trauma que ele prefere não abordar e que fez o clube mergulhar em uma espiral de queda da qual ainda não se recuperou.

“Eu perdi muitas oportunidades por causa disso. Até hoje tem torcedor da Portuguesa que me acusa nas redes sociais, e eu não sabia de nada. O pior é que, se houve um erro, ninguém foi punido. Se houve um crime, ninguém foi preso. Não gosto nem de lembrar”, lamenta.

Tags: #Gordiola#Guto Ferreira
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