A Espanha está a uma vitória de repetir a conquista que marcou sua história em 2010. Com uma atuação organizada, intensa e eficiente, a seleção espanhola derrotou a França por 2 a 0 nesta terça-feira (14), no Estádio de Dallas, em Arlington, e garantiu presença na decisão da Copa do Mundo de 2026.
Mikel Oyarzabal abriu o placar em cobrança de pênalti aos 22 minutos do primeiro tempo. Pedro Porro ampliou aos 58, após uma rápida troca de passes com Dani Olmo que desorganizou a defesa francesa.
A classificação leva a Espanha à segunda final de Copa do Mundo de sua história. A decisão será disputada no domingo (19), na região de Nova York/Nova Jersey, contra o vencedor da semifinal entre Argentina e Inglaterra, marcada para esta quarta-feira (15), em Atlanta.
A França, que tentava alcançar a terceira decisão consecutiva do torneio, disputará o terceiro lugar no sábado, em Miami.
Desde os primeiros minutos, a Espanha assumiu o controle territorial da partida. A equipe avançou suas linhas, pressionou a saída de bola adversária e procurou recuperar a posse ainda no campo ofensivo.
A estratégia dificultou a construção francesa. Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise receberam poucas bolas em condições favoráveis e frequentemente precisaram recuar para participar da organização das jogadas.
Com maior presença no meio-campo, os espanhóis circularam a bola com paciência e exploraram os corredores laterais. A movimentação obrigava a defesa francesa a se deslocar constantemente, abrindo espaços para as infiltrações.
Lamine Yamal foi uma das principais ameaças. Posicionado pelo lado direito, o atacante enfrentou Lucas Digne em jogadas individuais e criou desequilíbrio com velocidade, dribles e mudanças rápidas de direção.
Foi justamente em uma dessas investidas que surgiu o lance responsável por abrir o placar.
Pênalti transforma domínio em vantagem
Aos 22 minutos, Yamal entrou na área e foi derrubado por Digne. O árbitro marcou a penalidade, e Oyarzabal assumiu a cobrança.
O atacante finalizou com segurança e superou Mike Maignan, transformando a superioridade espanhola em vantagem no marcador. O gol também representou o quinto de Oyarzabal nesta edição do Mundial, igualando a melhor marca de um espanhol em uma única Copa.
Mesmo depois de marcar, a Espanha não abandonou o campo ofensivo. A equipe continuou pressionando e buscou o segundo gol por meio de passes rápidos e finalizações de média distância.
Fabián Ruiz apareceu como opção na entrada da área, enquanto Pedro Porro avançava pelo lado direito para apoiar Yamal. A presença dos laterais aumentava o número de jogadores espanhóis próximos ao gol francês.
A França tentou acelerar quando recuperava a posse, mas encontrou dificuldades para superar a recomposição adversária. Mbappé era cercado por mais de um marcador sempre que tentava conduzir a bola em direção à área.
Sem espaço para explorar a velocidade, o capitão francês passou a buscar o jogo em zonas mais afastadas do gol. A movimentação permitiu maior participação na criação, mas reduziu a presença da equipe na área defendida por Unai Simón.
A Espanha encerrou o primeiro tempo em vantagem e com maior controle da partida. Além de limitar as ações ofensivas da França, conseguiu impedir que o confronto assumisse o ritmo de transições rápidas desejado pelos adversários.
Pedro Porro encaminha a classificação
A seleção francesa voltou do intervalo com uma postura mais agressiva. A equipe adiantou a marcação e passou a procurar Mbappé com maior frequência, tentando empurrar os espanhóis para o campo defensivo.
O avanço, porém, deixou espaços nas costas dos jogadores franceses. A Espanha manteve a tranquilidade na circulação da bola e esperou o momento certo para explorar essas áreas.
Aos 58 minutos, Pedro Porro iniciou uma jogada pelo lado direito e participou de uma combinação rápida com Dani Olmo. O lateral seguiu avançando, recebeu dentro da área e finalizou com precisão para ampliar a vantagem.
O segundo gol resumiu a atuação espanhola: movimentação coordenada, passes verticais e ocupação eficiente do espaço deixado pela defesa adversária. Porro, que também cumpria funções defensivas, apareceu como elemento surpresa para concluir a jogada.
Com a necessidade de marcar duas vezes, a França intensificou a pressão. Didier Deschamps realizou alterações para ampliar a presença ofensiva e aumentar a velocidade pelos lados do campo.
Mbappé passou a finalizar com maior frequência, mas Unai Simón respondeu com segurança. O goleiro espanhol evitou que a França diminuísse a diferença e ganhasse confiança para buscar uma reação nos minutos finais.
A defesa também teve papel decisivo. Os zagueiros reduziram os espaços dentro da área, enquanto os laterais receberam apoio permanente dos meio-campistas e atacantes.
Mesmo sob pressão, a Espanha continuou perigosa nos contra-ataques. Yamal chegou a balançar as redes com uma finalização colocada, mas o gol foi anulado por impedimento.
O lance não modificou o resultado, porém mostrou que os espanhóis ainda conseguiam ameaçar Maignan quando a França concentrava seus jogadores no ataque.
Espanha terá chance de repetir conquista de 2010
Nos minutos finais, a seleção espanhola administrou a vantagem por meio da posse de bola. Em vez de recuar completamente, a equipe manteve os passes e obrigou os franceses a percorrerem longas distâncias para recuperar o controle.
Quando perdia a bola, a Espanha voltava a pressionar rapidamente. Essa postura impediu que a França estabelecesse uma sequência de ataques capaz de alterar o rumo da semifinal.
O resultado confirmou a força coletiva de uma equipe que combina experiência e juventude. Oyarzabal demonstrou tranquilidade no pênalti, Pedro Porro participou defensivamente e marcou o segundo gol, enquanto Dani Olmo e Yamal tiveram influência direta nos principais momentos ofensivos.
A França não conseguiu repetir o desempenho das fases anteriores. A dependência das iniciativas individuais de Mbappé facilitou o trabalho da marcação espanhola, que concedeu poucas oportunidades claras.
Os franceses buscavam a terceira final seguida depois do título de 2018 e do vice-campeonato de 2022. A sequência terminou diante de uma Espanha mais organizada e eficiente em Dallas.
A classificação encerra uma espera de 16 anos. A única participação anterior da seleção espanhola em uma final ocorreu em 2010, quando o país derrotou a Holanda e conquistou seu primeiro título mundial.
Desde aquela campanha, a Espanha passou por eliminações precoces, mudanças de treinadores e uma profunda renovação do elenco. A nova geração chega à decisão apoiada em uma sequência de 37 partidas sem derrota no tempo regulamentar, iniciada em março de 2024.
O adversário será definido no duelo entre Argentina e Inglaterra. Independentemente do classificado, a Espanha chegará à final sustentada por uma campanha equilibrada e por uma defesa que conseguiu anular um dos ataques mais fortes da competição.
Antes de pensar na decisão, a França terá de reorganizar o elenco para a disputa do terceiro lugar. A derrota interrompeu a busca por outro título, mas a equipe ainda poderá encerrar sua participação no pódio.
Para a Espanha, resta o último passo. A vaga foi conquistada com pressão na marcação, controle no meio-campo, segurança defensiva e precisão diante do gol.
Ao fim dos 90 minutos, o placar refletia a superioridade apresentada em Dallas: Espanha 2, França 0. Agora, 16 anos depois da conquista na África do Sul, os espanhóis voltam a disputar o troféu mais importante do futebol mundial.
*Da Agência Fonte Exclusiva








