O segundo dia do julgamento de Daniel Alves, acusado de estuprar uma mulher de 23 anos, em uma boate em Barcelona, na Espanha, teve início nesta terça-feira, 6, e deve seguir até de noite. A esposa do jogador, Joana Sanz, será uma das testemunhas do caso. Além dela, outras 21 pessoas devem prestar esclarecimentos.
De acordo com o jornal La Vanguardia, a advogada do lateral, Inés Guardiola, chegou cerca de 15 minutos antes do início do julgamento. Pouco depois, Joana também chegou ao tribunal, acompanhada por dois dois seguranças.
A sessão começou por volta das 11h (horário de Brasília). O primeiro a depor é o diretor da boate Sutton, onde o crime teria acontecido. Segundo o site El Periódico, Joana deverá declarar que o jogador tinha bebido no dia dos fatos, como ele teria explicado à ela depois do ocorrido. Também serão ouvidos nesta terça quatro amigos do jogador, o diretor e três funcionários da boate; além de um grupo de policiais que teria atendido ao caso.
O Ministério Público pede que o jogador seja condenado a nove anos de prisão, e o pagamento de uma indenização de 150 mil euros à vítima por um crime de natureza sexual. Já a defesa da vítima pede quea pena seja aumentada para 12 anos de prisão, o máximo para um crime de agressão sexual.
Funcionário da boate
O diretor da Sutton foi o primero a ser ouvido e declarou que a vítima contou o que havia acontecido, e que ela estava “bastante afetada”. O homem afirmou que foi difícil convencê-la de denunciar e inciar o protocolo de agressão sexual. “Ela me disse que não iam acreditar nela. E que ela tinha entrado voluntariamente (no banheiro), que depois queria sair e não foi impedida”.
Ele também contou que em dado momento, enquanto conversava com a jovem para entender o que estava acontecendo, Daniel Alves passou pelo corredor em direção à saída, e ela apontou que havia sido ele o autor.
O segundo ouvido foi o gerente do local, que afirmou que Daniel Alves não “estava com sempre, ou tinha bebido, ou teria tomado alguma coisa, mas não estava agindo normalmente”. A segunda testemunha de hoje apoia a tese da defesa de que o jogador estava embriagado quando os fatos aconteceram
Um assistente local relatou à corte que a jovem explicou à ele que “sabia o que ia fazer” quando entrou no banheiro com o lateral, “mas depois se arrependeu”.
O amigo de Daniel Alves, Bruno Brasil, contou que eles foram até a boate de carro naquela noite, já que o jogador “bebeu muito” ao longo da tarde. Em seu depoimento, ele explicou que conheceram a vítima e suas amigas, e que Daniela Alves dançava com elas.
Ao ser questionado pelo Ministério Público, Brasil relatou que viu o atacante ir até o banheiro, e logo em seguida, a vítima. Minutos depois, viu o brasileiro sair do banheiro, juntando-se a ele para dançar com as meninas. Quando foi abordado pelo jogador, o amigo estava dançando com a prima da denunciante.
Em seguida, ela chegou até o local em que estava, e juntamente com sua prima, se despediu deles. Brasil e Alves continuaram na área VIP por mais um tempo. Mais tarde, decidiram ir embora, pois haviam “bebido demais”. Ele dirigiu novamente para levar o acusado para casa. Ainda em depoimento, ele disse que ao sair da boate, não viu a denunciante chorando, pois estava muito escuro. Segundo ele, o atleta não explicou o que aconteceu no banheiro.
Primeiro dia
Nesta segunda, 5, foram ouvidos a suposta vítima, além de testemunhas, como uma amiga da mulher que o denunciou e uma prima, que estavam com ela na casa noturna em que o crime teria acontecido. Por isso, a mãe da jovem foi dispensada de depor nesta terça, após decisão do Tribunal Espanhol.
A denunciante prestou esclarecimentos através de um biombo, para que não tivesse contato com o jogador. Além disso, sua voz foi alterada para dificultar sua identificação. A mulher contou por cerca de 1h15, que Daniel Alves a “levou várias vezes a mão dela até seu pênis, que ela retirou assustada”, enquanto dançavam, e que depois, ele pediu à ela para segui-lo até uma porta.
Nesse momento, ela se deu conta de que era um banheiro, e tentou sair, mas foi impedida. O brasileiro a teria penetrado com violência, e “ejaculou dentro dela”. Após o abuso, ele teria deixado o banheiro primeiro. A tese é reforçada pelos exames, nos quais foram encontrados o DNA do lateral.
Na sequência, Ana Matallana, amiga da vítima, contou que viu o jogador se aproximando da denunciante, “com a mesma atitude pegajosa” com que ele teria se aproximado dela. De acordo com o ge, ela relata ainda que viu a amiga tensa, e percebeu o momento em que os dois foram até uma porta, mas depois, os perdeu de vista.
A jovem lembrou que a vítima saiu do local dizendo: “Ele me machucou muito, ele me machucou muito”. O mesmo foi ratificado pela prima da denunciante, que também estava na boate. De acordo com La Vanguadia, ela contou que quando a vítima saiu do banheiro, viu que “ela estava com a cara muito feia”.
“Perguntei a ela se ela estava bem e se ela queria que a gente fosse embora, e ela me disse que precisava ir embora. Saímos de lá e eu escrevi para minha amiga dizendo que ela precisava ir embora. Ela apenas me disse que ele a machucou muito, e que tinha ejaculado dentro dela”.
Um segurança também foi ouvido, e afirmou que a reclamante estava chorando muito e dizendo aos amigos que o jogador lhe tinha feito “muito mal”, mas resistiu em denunciá-lo. Ele disse que ela parecia estar “muito nervosa” e “sofrendo”.
Um dos garçons da boate contou que um amigo dele foi quem atendeu Daniel Alves primeiramente naquela noite. Outro garçom disse que o jogador era um cliente habitual da casa noturna, e sabia que existia uma suíte dentro da área VIP.
Conforme o ge, dentro do cômodo há um banheiro, onde o crime teria ocorrido. Ambos afirmaram que não notaram nenhum comportamento estranho do jogador.
Entenda o caso
No dia 30 de dezembro de 2022, segundo os relatos publicados pela imprensa espanhol, a vítima foi convidada por Daniel Alves para entrar em uma área VIP de uma boate em Barcelona. No espaço reservado, a mulher conheceu o lateral brasileiro e os dois dançaram juntos. De acordo com os jornais, a denunciante relatou que o jogador “levou várias vezes a mão dela até seu órgão íntimo, que ela retirou assustada”. Depois disso, os dois teriam entrado em um banheiro, onde o crime teria ocorrido.
A mulher teria tentado deixar o banheiro, mas foi impedida pelo agressor. De acordo com o relato, o jogador deixou o banheiro antes da vítima após ter penetrado de maneira violenta até ejacular. A mulher teria saído depois e contado o que aconteceu a uma amiga.
Após o ocorrido, a vítima teria ido imediatamente a um hospital para fazer exames. Dois dias depois, os resultados constataram DNA de Daniel Alves nos testes feitos pela jovem.
A Justiça espanhola ordenou a prisão do atleta depois de ouvir depoimentos contraditórios do brasileiro. Ao longo da investigação, o ex-Barcelona apresentou diferentes versões sobre o caso. Na última delas, admitiu que teve relações sexuais com a acusadora, mas afirmou que isso aconteceu de forma consensual.
Inicialmente, Daniel Alves foi preso no Centro Penitenciário Brians I, mas foi transferido para o Brians II três dias depois da detenção. A cadeia fica localizada no município Sant Esteve Sesrovires, a 40 km de Barcelona. O lateral trocou de representantes durante a investigação – o advogado que defendia o brasileiro alegou que o caso “estava perdido”. A juíza do caso entende que o processo tem provas suficientes para a condenação do jogador.
Com informações do Terra.








