A permanência de Gianni Infantino na presidência da FIFA passou a enfrentar um cenário de incerteza após a repercussão negativa de um projeto que previa alterações na estrutura comercial das principais competições da entidade.
A proposta, que envolvia a participação de investidores privados nos negócios relacionados a torneios como a Copa do Mundo, provocou resistência entre integrantes do futebol internacional.
Infantino ocupa a presidência da FIFA desde 2016 e foi reeleito duas vezes sem adversários. Até recentemente, o dirigente era apontado como favorito para tentar um quarto mandato na eleição prevista para março, contando com o apoio de diversas confederações e federações nacionais.
Antes mesmo de oficializar sua intenção de concorrer novamente, Infantino já havia recebido manifestações favoráveis de entidades importantes, incluindo a Confederação Africana de Futebol (CAF), a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).
Segundo informações divulgadas pelo The Guardian em junho, mais de 200 das 211 associações filiadas à FIFA haviam demonstrado apoio à continuidade do dirigente.
Projeto comercial aumenta pressão sobre Infantino
A situação começou a se alterar após a apresentação de uma proposta para criar uma nova estrutura empresarial responsável por parte das atividades comerciais ligadas aos principais torneios da FIFA.
O plano envolvia competições com grande capacidade de geração de receitas, entre elas a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. A possibilidade de participação de investidores privados gerou preocupação entre setores da estrutura internacional do futebol.
A resistência ganhou destaque principalmente entre entidades ligadas ao futebol europeu e à região da América do Norte, América Central e Caribe.
Na quinta-feira (30), UEFA e Concacaf realizaram reuniões para analisar o projeto e discutir seus possíveis efeitos. Conforme fontes citadas pelo The New York Times, os encontros também serviram para expressar insatisfação com a forma como a proposta vinha sendo conduzida e levantar dúvidas sobre a liderança de Infantino.
Dessa forma, a discussão deixou de se limitar ao modelo comercial e passou a envolver diretamente a relação política do presidente da FIFA com diferentes confederações.
Apoio ao quarto mandato já não parece tão seguro
A candidatura de Infantino para um novo período vinha sendo construída com amplo respaldo dentro da estrutura da FIFA. O apoio declarado por organizações continentais e por grande parte das federações nacionais indicava que uma nova eleição poderia ocorrer sem uma disputa relevante.
A controvérsia em torno da exploração comercial das competições, porém, alterou o ambiente político da entidade.
O episódio levantou questionamentos sobre a concentração de decisões estratégicas na presidência da FIFA e sobre o processo utilizado para definir mudanças relacionadas aos principais ativos comerciais do futebol mundial.
Mesmo após a retirada do projeto diante da reação contrária, os questionamentos não desapareceram. A decisão de abandonar a proposta não encerrou as discussões sobre a condução do processo nem eliminou as tensões entre Infantino e algumas das principais confederações.
Eleição de março pode definir futuro da presidência
A crise representa um dos principais desafios políticos enfrentados por Infantino desde que assumiu a presidência da FIFA.
Com a eleição prevista para março, o apoio das 211 federações filiadas será fundamental para determinar se o dirigente conseguirá manter a trajetória construída desde 2016 e buscar um quarto mandato.
O episódio envolvendo a gestão comercial das competições também poderá influenciar as relações entre a presidência da FIFA e as confederações responsáveis pela organização do futebol em diferentes regiões do mundo.
Até a eleição, a dimensão do desgaste provocado pela proposta e a capacidade de Infantino de recompor alianças deverão ser acompanhadas de perto dentro da entidade.
*Da Agência Fonte Exclusiva








