Quando a Inglaterra mais precisava de uma resposta individual, Jude Bellingham assumiu o protagonismo. O meio-campista marcou no fim do primeiro tempo e voltou a balançar as redes no início da prorrogação para comandar a vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, neste sábado, 11 de julho, pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026.
O triunfo no estádio de Miami, em Miami Gardens, colocou os ingleses entre as quatro melhores seleções do Mundial pela quarta vez. As campanhas anteriores que chegaram a essa etapa ocorreram em 1966, 1990 e 2018. Agora, a equipe comandada por Thomas Tuchel enfrentará a atual campeã Argentina na quarta-feira, 15 de julho, em Atlanta.
A classificação, entretanto, esteve longe de ser tranquila. A Noruega abriu o placar, criou outras oportunidades e chegou a marcar novamente no segundo tempo, mas teve o gol anulado pelo árbitro de vídeo. A Inglaterra enfrentou dificuldades técnicas durante os 90 minutos e somente conseguiu completar a virada após uma falha do goleiro Ørjan Nyland no tempo extra.
O forte calor registrado no sul da Flórida contribuiu para um início mais cauteloso. A Inglaterra mantinha maior posse de bola, mas circulava lentamente e encontrava dificuldades para avançar diante da marcação norueguesa.
A primeira ameaça mais clara ocorreu aos 35 minutos. Julian Ryerson cruzou, Erling Haaland cabeceou e Jordan Pickford fez a defesa. No lance seguinte, a Noruega conseguiu transformar a pressão em vantagem.
Patrick Berg recuperou a posse após desarmar Harry Kane próximo ao meio-campo e acionou Andreas Schjelderup pelo lado esquerdo. O atacante avançou sobre Ezri Konsa e bateu com força. A bola tocou na trave antes de entrar, colocando os noruegueses na frente aos 36 minutos.
O gol desorganizou a equipe inglesa. Alexander Sørloth finalizou por cima, enquanto Martin Ødegaard obrigou Pickford a trabalhar novamente.
Aos 44 minutos, a Noruega desperdiçou a oportunidade de ampliar em um contra-ataque com superioridade numérica, depois que Sørloth deixou de servir Haaland.
A chance perdida teve consequência imediata. Já nos acréscimos, Anthony Gordon encontrou Bellingham nas proximidades da área. O camisa 10 dominou, passou pela marcação e finalizou cruzado no canto mais distante de Nyland, levando o confronto empatado para o intervalo.
A jogada provocou reclamações da comissão técnica norueguesa. Representantes da seleção sustentaram que a bola havia atingido o cabo da câmera aérea antes de a Inglaterra recuperar a posse. A Fifa informou, porém, que os sensores instalados na bola não registraram contato com o equipamento, e o gol foi mantido.
A Noruega retornou para o segundo tempo mantendo a postura competitiva e voltou a colocar a bola na rede aos 10 minutos. Torbjørn Heggem aproveitou uma cobrança de escanteio e concluiu para o gol.
A comemoração durou pouco. Após revisar o lance, a arbitragem identificou um empurrão de Haaland sobre Elliot Anderson antes da finalização e anulou o gol. A decisão manteve o placar em 1 a 1.
Mesmo sem recuperar a vantagem, os noruegueses continuaram perigosos. A entrada do atacante Oscar Bobb aumentou a velocidade da equipe, e David Møller Wolfe acertou o travessão em uma cabeçada que encobriu Pickford.
Tuchel respondeu com alterações na Inglaterra. Bukayo Saka deu mais intensidade ao lado direito e produziu cruzamentos perigosos, mas os companheiros não conseguiram completar as jogadas.
A Inglaterra aumentou a presença ofensiva na parte final, porém continuou cometendo erros de passe e apresentando pouca fluidez. A defesa norueguesa resistiu até o encerramento dos 90 minutos, levando a decisão para a prorrogação.
A virada inglesa foi construída três minutos depois do início do tempo extra. Morgan Rogers arriscou uma finalização de longa distância, e Nyland não conseguiu segurar. Atento à sobra, Bellingham antecipou-se aos defensores e mandou o rebote para o fundo da rede.
O segundo gol consolidou o meio-campista como o principal personagem da classificação. Bellingham já havia sido decisivo nas oitavas de final e, ao lado de Harry Kane, concentrou a maior parte da produção ofensiva inglesa nesta Copa. Os dois marcaram 12 dos 13 gols da seleção no torneio até as quartas de final.
Pouco depois, o árbitro assinalou um pênalti para a Inglaterra por uma suposta infração sobre Djed Spence. O VAR voltou a intervir e recomendou a revisão, levando ao cancelamento da penalidade.
A Noruega tentou reagir, mas o desgaste físico reduziu a capacidade de pressão. Haaland, que havia marcado sete gols na competição, deixou o campo no intervalo da prorrogação sem conseguir superar a defesa inglesa. Foi a primeira vez em 16 partidas pela seleção que o atacante terminou sem balançar as redes.
Nos minutos finais, os noruegueses avançaram suas linhas em busca do empate. A Inglaterra recuou, protegeu a área e confirmou a classificação diante de 64.478 torcedores.
Apesar da vaga, Thomas Tuchel não escondeu a insatisfação com a atuação. O treinador reconheceu o esforço e a capacidade de reação dos jogadores, mas avaliou que a equipe cometeu erros técnicos, movimentou a bola lentamente e apresentou um futebol abaixo do necessário para disputar o título.
Bellingham, por outro lado, valorizou a entrega coletiva. O meio-campista ressaltou as dificuldades físicas da partida e destacou a resistência do grupo para buscar a virada depois de sair em desvantagem.
Tuchel afirmou que a seleção precisa melhorar principalmente na construção ofensiva e permitir que outros atletas participem mais diretamente dos gols. Embora tenha elogiado Bellingham e Kane pela capacidade de decisão, o treinador reconheceu a dependência da dupla durante o torneio.
A Noruega encerrou uma campanha histórica em seu retorno ao Mundial depois de 28 anos. A equipe apresentou um futebol competitivo, eliminou o Brasil nas oitavas de final e esteve próxima de alcançar pela primeira vez uma semifinal.
O capitão Martin Ødegaard reconheceu a frustração, mas defendeu que o elenco valorize o desempenho obtido. A seleção conquistou projeção internacional e demonstrou capacidade para enfrentar adversários considerados favoritos.
A vitória confirmou um dos confrontos mais aguardados da Copa do Mundo. Inglaterra e Argentina se enfrentarão no Atlanta Stadium, em uma partida cercada por tradição e lembranças de duelos históricos.
Os ingleses buscam retornar à decisão pela primeira vez desde 1966, ano de seu único título mundial. A Argentina, campeã em 1978, 1986 e 2022, tenta alcançar a segunda final consecutiva e permanecer na disputa pelo tetracampeonato.
A equipe de Lionel Scaloni garantiu a vaga ao derrotar a Suíça por 3 a 1, também na prorrogação. Julián Álvarez e Lautaro Martínez decidiram o confronto nos minutos finais do tempo extra.
Para superar a atual campeã, a Inglaterra precisará apresentar maior regularidade e reduzir os erros que permitiram à Noruega controlar diferentes momentos das quartas de final.
Em Miami, a atuação coletiva esteve abaixo do esperado, mas Bellingham compensou as dificuldades. Com dois gols em momentos decisivos, o camisa 10 transformou uma possível eliminação na quarta semifinal mundialista da história inglesa.
*Da Agência Fonte Exclusiva








