*Da redação
Investigada no ano passado por formação de cartel no Paraná, a distribuidora Raízen está tentando melar a venda direta das fabricantes de etanol para os postos de combustíveis.
Por meio de carta enviada ao Ministério da Economia (ME), a empresa diz que a venda direta, sem intermediários, acarretaria um aumento de 24,7% no custo de transportes, o que representaria R$ 181 milhões, além de um custo do frete de R$ 34 milhões para o etanol.
De acordo com reportagem do site Nova Cana, os números são baseados em uma análise da consultoria Leggio.
Nesta quinta-feira (26), a Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados votará dois projetos que permitem a venda direta de etanol.
“Um deles, o PDC 978/2018, já foi aprovado no Senado e dispensa sanção presidencial”, diz a reportagem do Nova Cana.
A venda direta de etanol afeta um cartel formado pela Raízen, BR Distribuidora (que pertence a Petrobras) e Ipiranga. Em julho do ano passado, o cartel foi alvo da Operação Margem Controlada, deflagrada pela Polícia Civil do Paraná.
De acordo com as investigações, os indícios apontavam que essas distribuidoras se aproveitavam do fato de donos de postos bandeirados serem obrigados a comprar o combustível delas para combinarem o preço que cobrariam desses empresários e evitar a concorrência no valor cobrado dos consumidores.
O esquema criminoso seria operado de forma coordenada pelas distribuidoras.
“Os representantes da BR, Raízen e Ipiranga vendiam o litro do combustível de acordo com o preço que seria praticado pelo dono do posto bandeirado – controlando assim o preço nas bombas e, consequentemente, a margem de lucro dos empresários”, informou na época os investigadores.
A venda direta quebra a espinha dorsal do cartel formado pelas grandes distribuidoras. A expectativa é de que barateia os preços praticados nas bombas.
Mas a Raízen tenta contornar a medida. Por meio de uma carta com 48 páginas, a distribuidora crítica nota técnica da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia.
A nota técnica do ME também defendeu o fim da tutela regulatória da fidelidade à bandeira dos postos de combustível.








