Produção sucroalcooleira no Norte Fluminense espera registrar melhor safra dos últimos três anos, avalia presidente do Sindicato dos usineiros;
Da redação
Depois de três anos de estagnação em função da seca prolongada, queda na produção de matéria prima, o setor sucroalcooleiro do Norte Fluminense inicia um processo de revitalização com a safra de 2017.
O portal de notícias VIU ONLINE inicia uma série de reportagens sobre o segmento produtivo que já representou a principal atividade econômica da região do Estado do Rio, até entrar em declínio no final da década de 80.
Com duas usinas em operação (Coagro e Paraíso), e uma terceira (Canabrava) em vias de produzir, o setor espera movimentar R$ 250 milhões e gerar cerca de oito mil empregos nos próximos sete meses.
A safra chega em um momento dramático para economia regional. A retração na produção de petróleo e gás na Bacia de Campos, potencializada pela crise econômica, acelera o crescimento no índice de pobreza e do desemprego. Só em Campos dos Goytacazes, cidade com pouco mais de 400 mil habitantes e sede das três unidades sucroalcooleira, são 30 mil chefes de família desempregados, segundo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho.
“O índice de pobreza extrema cresceu 30% na cidade nos últimos dois anos. A safra, portanto, será uma boa opção de empregos sazonais, com reflexos positivos nas próximas estatísticas do CAGED”, destaca o economista Ranulfo Vidigal.
A SAFRA DE 2017promete ser o início de retomada no setor sucroalcooleiro do Norte Fluminense | Foto: Coagro
No que pese a crise econômica e falta de financiamentos oficiais, as perspectivas são positivas em função de previsão de chuvas, mais oferta de matéria prima e preços. O açúcar e o álcool estão mais valorizados no mercado. O açúcar, inclusive, está com cotação de 20% melhor do que o álcool.
“Mas o álcool também recuperou valor de mercado, depois que o governo adotou uma política de preços mais realista para os combustíveis. A tabela passou a ser de acordo com o mercado e não o tabelamento imposto para segurar o índice inflacionário. Com isso a gasolina teve reajuste e o preço do álcool, que tradicionalmente é cotado em 70% do valor da gasolina, também ganhou melhor cotação”, explica o presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar e do Álcool do Norte Fluminense, Frederico Paes, que também é presidente da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio (Coagro), proprietária da Usina Sapucaia.
VÍDEO: Produção de Açúcar na Usina Coagro (antiga Sapucaia), em Campos dos Goytacazes-RJ
A Coagro e a Paraíso são as unidades industriais que deverão ter melhor desempenho na safra. A Sapucaia conseguiu aumentar o seu portfólio de fornecedores. “Este ano tivemos um maior número de produtores fornecendo para a nossa unidade e também começamos a safra um mês antes. Isso nos favoreceu”, disse Paes.
Já a usina Paraíso tem a vantagem de contar com produção própria de matéria prima. A indústria não depende muito de fornecedores externos.