O Pix alcançou o maior nível de confiança entre os 16 itens avaliados em uma nova pesquisa Genial/Quaest. Segundo o levantamento, 80% dos brasileiros afirmam confiar no sistema de pagamentos instantâneos, enquanto 19% dizem não confiar e 1% não soube ou preferiu não responder.
É a primeira vez que o Pix aparece nesse tipo de avaliação realizada pela Quaest. O resultado colocou o sistema criado pelo Banco Central à frente de instituições que tradicionalmente apresentam índices elevados de confiança. A Igreja Católica aparece com 76%, a Polícia Militar com 75% e as Forças Armadas com 70%.
O dado chama atenção também porque a confiança no Pix atravessa diferentes posicionamentos políticos. Entre os entrevistados classificados como de direita não bolsonarista, 87% disseram confiar no sistema. Na esquerda não lulista, o percentual chega a 88%. Entre os independentes, aproximadamente três em cada quatro entrevistados manifestaram confiança.
A pesquisa mostra, portanto, que o sistema de pagamentos se tornou um dos poucos temas capazes de reunir índices elevados de aprovação em grupos que frequentemente divergem sobre instituições e assuntos políticos.
Criado pelo Banco Central e lançado em novembro de 2020, o Pix rapidamente passou a fazer parte da rotina financeira do país. Transferências entre pessoas, pagamentos em estabelecimentos e quitação de contas podem ser feitos em poucos segundos, a qualquer hora do dia, inclusive em fins de semana e feriados.
O alto nível de confiança também ganhou relevância política às vésperas das eleições de 2026. Nos últimos meses, tanto integrantes do governo quanto da oposição passaram a citar o sistema em discursos públicos e a disputar a associação com sua popularidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a apresentar a defesa do Pix como uma questão de soberania nacional em meio às críticas do governo dos Estados Unidos ao sistema brasileiro. Já integrantes da oposição têm destacado que o lançamento ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro. O desenvolvimento técnico, no entanto, começou anteriormente no Banco Central.
Apesar da disputa, especialistas ouvidos sobre a pesquisa avaliam que a popularidade do Pix torna politicamente difícil para qualquer grupo assumir uma posição contrária ao sistema. Isso não significa, porém, que o tema, isoladamente, tenha força suficiente para definir o voto do eleitor.
A pesquisa também mediu a percepção dos brasileiros sobre instituições políticas. A Presidência da República registra 57% de confiança, três pontos percentuais acima de 2025. O Supremo Tribunal Federal aparece com 50%, enquanto o Congresso Nacional tem 49%. Os partidos políticos alcançaram 44%, embora 55% dos entrevistados ainda afirmem não confiar nas legendas.
Outro dado do levantamento é a queda na confiança nas urnas eletrônicas. Em 2022, 78% diziam confiar no sistema de votação. Agora, o percentual aparece em 65%. Segundo a pesquisa, a redução foi observada em diferentes regiões, faixas etárias e níveis de renda.
A Polícia Militar também apresenta confiança elevada entre diferentes grupos políticos. O índice chega a 75% entre entrevistados da esquerda não lulista e a 85% entre aqueles classificados como de direita não bolsonarista.
Na outra ponta do levantamento aparecem os árbitros de futebol: 56% dos entrevistados disseram não confiar neles.
A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado mostra que, mesmo em um cenário marcado por divisões políticas, algumas instituições e serviços conseguem manter avaliações semelhantes entre grupos ideologicamente distintos — e o Pix aparece, neste momento, como o principal exemplo.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








