Gasolina e diesel importando afeta cotação no mercado interno, diz executivo da diretoria estratégica da estatal;
Da agência Reuters
A política de preços de gasolina e diesel da Petrobras, implantada em outubro do ano passado e que resultou em mais reduções do que altas nas cotações nas refinarias, é norteada pela concorrência com produtos importados, disse nesta segunda-feira (19) o diretor da estatal Nelson Silva (foto).
Segundo o executivo chefe da Diretoria de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da Petrobras, a crescente importação de diesel e gasolina é o que mais tem afetado as vendas da estatal no mercado interno, onde a petroleira tem enfrentado a competição por fatia de mercado de outros agentes.
“Estamos olhando principalmente para a concorrência do produto importado. O importado é o que afeta diretamente o nosso negócio, que é petróleo e gás”, afirmou ele à Reuters após o Fórum Empresarial de Administração Pública, no Rio de Janeiro.
“O mercado é livre e qualquer um pode importar. Nós estamos atentos a esses movimentos”, disse ele.
O executivo lembrou que outras variáveis que fazem parte da política de preços da companhia, como cotação do barril de petróleo e câmbio, também são acompanhadas de perto pela estatal para a formação dos preços internos dos derivados.
Desde que implantou a nova política para dar mais transparência à definição dos preços as refinarias, a Petrobras já reduziu o preços da gasolina e do diesel em seis ocasiões, em um total de dez avaliações para reajustes.
No caso da gasolina, a estatal elevou os preços em duas oportunidades e os manteve em outras duas. No diesel, houve alta em três avaliações e uma manutenção.
“O importante não é quantas vezes caiu, mas sim a margem. O petróleo também caiu e o custo para produzir também diminuiu. Se você está vendendo por menos, você também está pagando menos pela matéria-prima. Esse aspecto tem que ser olhado e não apenas o preço de vendas”, ressaltou Silva.
“Não dá para dizer que tivemos perda com a política de preços. Não é um análise linear porque tem ainda câmbio nessa conta”, completou.
Na semana passada, a estatal anunciou uma nova redução dos preços de diesel e gasolina em suas refinarias, de 5,8 e 2,3 por cento, respectivamente.
A redução ocorre em um momento de pico de colheita da safra de cana no centro-sul do Brasil, que resulta no aumento da oferta de etanol.
Desde o início da safra, na última semana de março até meados deste mês, os preços do etanol caíram 9 por cento em média nas usinas do Estado de São Paulo, maior produtor nacional, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Ainda sim, disse Silva, a política de preços da Petrobras não foca o mercado do etanol.
“O etanol é um mercado do qual não participamos. Olhamos para câmbio, preço e market share”, frisou ele.
Um preço mais baixo do etanol na bomba poderia incentivar consumidores em alguns Estados a migrar para o biocombustível em detrimento da gasolina.








