O avanço de novas potências econômicas e militares está modificando o equilíbrio global e exige uma mudança de postura do Brasil, na avaliação do economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, instituição criada pelos Brics.
As ideias estão reunidas no artigo “A Era do Obscurantismo”, publicado neste mês em diferentes veículos. No texto, Batista classifica o atual ambiente geopolítico como o mais perigoso desde a Segunda Guerra Mundial e defende que o Brasil se prepare para uma ordem internacional cada vez mais disputada.
Economista aponta avanço de mundo multipolar
Na análise, Batista destaca quatro movimentos principais: a consolidação de uma ordem multipolar, impulsionada sobretudo pela ascensão da China e de outras economias asiáticas; a perda relativa de influência do Ocidente; a resistência das potências ocidentais diante dessa mudança; e a permanência de grande poder econômico, tecnológico e militar dos Estados Unidos.
O diagnóstico representa a interpretação pessoal do economista sobre as transformações internacionais e inclui críticas à política externa norte-americana e europeia.
Brasil deveria reduzir dependências estratégicas
Para Batista, o país não deveria depender apenas da diplomacia e de sua tradição de solução pacífica de conflitos. Ele defende o fortalecimento da capacidade de defesa brasileira como forma de proteger interesses nacionais em um cenário internacional mais instável.
Na economia, a proposta é diminuir a dependência externa em setores considerados estratégicos. Segundo o economista, cadeias essenciais de produção deveriam permanecer principalmente no território brasileiro ou em países considerados parceiros confiáveis, mesmo que essa estratégia implique custos econômicos maiores.
Batista também critica o que chama de “complexo de inferioridade” brasileiro diante das grandes potências. Para ele, o tamanho da economia, do território e da população permite ao Brasil buscar uma atuação internacional mais autônoma.
Gaza e tensões no Ocidente entram na análise
O artigo também relaciona as mudanças geopolíticas ao crescimento de movimentos nacionalistas, à imigração e às tensões raciais em países ocidentais.
Batista faz críticas contundentes à atuação de Israel nos territórios palestinos e ao apoio oferecido por Estados Unidos e países europeus. O uso do termo “genocídio” no artigo integra a avaliação política do autor sobre a guerra em Gaza e não deve ser tratado, neste contexto, como uma conclusão independente da reportagem.
Brasil poderia atuar como ponte
Apesar do diagnóstico pessimista, Batista considera que o Brasil pode exercer uma função relevante em uma ordem internacional mais multipolar.
Segundo ele, características como diversidade, dimensão territorial, tradição diplomática e relações com diferentes blocos permitem ao país atuar como ponte entre nações do Sul Global e outras potências.
O economista chama essa possibilidade de uma espécie de “Segunda Renascença”, baseada em maior cooperação internacional. Para Batista, o desafio brasileiro seria combinar autonomia econômica e capacidade de defesa com a preservação da diplomacia e da busca por soluções negociadas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








