O interesse mundial por matérias-primas estratégicas está movimentando bilhões de dólares e ampliando a atenção de investidores sobre o Brasil. Entre janeiro e outubro de 2026, operações de fusões e aquisições envolvendo projetos de minerais críticos movimentaram US$ 6 bilhões, cerca de R$ 29,94 bilhões, segundo levantamento da A&M Infra, unidade da consultoria Alvarez & Marsal.
O volume representa mais que o dobro dos US$ 2,3 bilhões registrados durante todo o ano de 2025. A expansão reflete a busca internacional por recursos essenciais à fabricação de equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, sistemas de energia renovável e outros produtos industriais.
Entre os segmentos que mais despertam o interesse do mercado estão as terras raras, grupo de elementos químicos utilizados em tecnologias que dependem de propriedades magnéticas e eletrônicas específicas. Com depósitos minerais relevantes e projetos em diferentes estágios de desenvolvimento, o Brasil aparece entre os países que podem ampliar sua participação nesse mercado.
Terras raras concentram 42% do valor negociado
As terras raras representaram 42% dos US$ 8,2 bilhões movimentados em operações envolvendo minerais críticos entre 2025 e 2 de outubro de 2026, conforme o levantamento.
Esses elementos são empregados na produção de ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias de alta complexidade. A utilização em diferentes cadeias industriais aumenta o interesse por depósitos capazes de garantir o fornecimento dessas matérias-primas.
Nesse contexto, projetos de exploração mineral passaram a atrair empresas que buscam ampliar suas reservas, diversificar fornecedores e fortalecer sua posição no mercado internacional.
Brasil recebe investimentos de grupos estrangeiros
O potencial mineral brasileiro tem atraído companhias internacionais interessadas em projetos de terras raras. Entre as operações destacadas pelo levantamento está a aquisição da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, pela empresa americana USA Rare Earth.
O negócio foi anunciado por US$ 2,8 bilhões, aproximadamente R$ 13,97 bilhões. Outra transação relevante envolveu a companhia australiana Lynas, que anunciou a compra do projeto Caldeira, em Caldas, Minas Gerais, por US$ 672 milhões, cerca de R$ 3,35 bilhões.
As negociações mostram o interesse de investidores estrangeiros em ativos brasileiros ligados à exploração desses elementos. Além do potencial das reservas, a capacidade de desenvolver projetos de mineração e processamento será importante para atender à demanda global.
Empresas chinesas também ampliam participação
Companhias chinesas responderam por 30% dos valores negociados na aquisição de projetos de minerais críticos, segundo a A&M Infra.
Entre os grupos mencionados no levantamento estão CMOC, Chalco, MMG, Baiyin e CNMC. As operações envolveram recursos como níquel, alumínio e ouro, utilizados em diferentes segmentos da indústria.
A participação dessas empresas está relacionada à importância estratégica do acesso às matérias-primas. O controle de ativos minerais pode contribuir para o abastecimento de cadeias produtivas que incluem a fabricação de metais, equipamentos eletrônicos e tecnologias associadas à transição energética.
Mineradoras brasileiras captam US$ 600 milhões
Além das grandes operações de aquisição, mineradoras brasileiras de menor porte também conseguiram ampliar o acesso a recursos financeiros. Entre julho de 2025 e outubro de 2026, essas empresas captaram US$ 600 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 2,99 bilhões.
Parte dos recursos veio da emissão de títulos em bolsas de valores estrangeiras, principalmente no Canadá e na Austrália. Também houve aportes diretos de investidores para financiar o desenvolvimento dos projetos.
O financiamento é importante para empresas que ainda precisam concluir estudos técnicos, obter licenças e preparar a infraestrutura necessária à exploração e ao processamento dos minerais.
Sem esses investimentos, muitos empreendimentos não conseguem avançar das etapas iniciais para a produção comercial.
Licenciamento e infraestrutura ainda são desafios
Apesar do crescimento das negociações, uma parcela significativa dos projetos brasileiros de minerais críticos continua em fase de pré-operação.
Antes de iniciar a produção, as empresas precisam cumprir exigências como o licenciamento ambiental, a certificação das reservas, a obtenção de financiamento e a construção das instalações industriais.
Essas etapas ajudam a determinar a viabilidade econômica dos empreendimentos e as condições necessárias para sua implantação. O avanço depende de fatores como disponibilidade de capital, cumprimento das exigências regulatórias e capacidade de execução das obras e dos processos industriais.
Por isso, o aumento das aquisições e dos investimentos financeiros não significa que todos os projetos entrarão em operação no curto prazo.
Brasil busca espaço na cadeia global de minerais estratégicos
O crescimento das transações internacionais coloca o setor mineral brasileiro em evidência em um momento de maior procura por matérias-primas essenciais à indústria e à transição energética.
A presença de investidores estrangeiros e a captação de recursos por empresas nacionais podem contribuir para o desenvolvimento de novos empreendimentos. Entretanto, transformar o interesse financeiro em produção efetiva dependerá da superação de desafios técnicos, ambientais e econômicos.
O avanço dos projetos poderá ampliar a participação do Brasil nas cadeias globais de fornecimento de minerais críticos, especialmente se o país conseguir desenvolver não apenas a extração, mas também a capacidade de processamento desses recursos.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








