O interesse dos Estados Unidos pelas reservas brasileiras de terras raras e minerais estratégicos pode ser um dos principais fatores envolvidos nas negociações comerciais entre os dois países.
A avaliação foi feita por um especialista em comércio internacional com mais de quatro décadas de experiência, em entrevista publicada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (10).
Segundo o negociador, que preferiu não ter o nome divulgado e já participou de reuniões presenciais com o presidente norte-americano Donald Trump, a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos não estaria relacionada apenas ao fluxo de importações e exportações, mas também à busca por acesso a recursos minerais considerados essenciais para setores como tecnologia, energia renovável e indústria avançada.
Na avaliação do especialista, ainda há espaço para um entendimento entre os dois países, com benefícios econômicos para ambos. Os Estados Unidos poderiam ampliar a participação no fornecimento de minerais críticos brasileiros, enquanto o Brasil teria a oportunidade de atrair investimentos, tecnologia e ampliar sua capacidade de processamento e industrialização desses recursos.
O negociador afirmou que a estratégia brasileira poderia priorizar uma abordagem de cooperação econômica nas conversas com Washington, em vez de concentrar o debate exclusivamente na proteção das reservas nacionais de minerais estratégicos.
Apesar da possibilidade de avanço em um acordo, o especialista avaliou que o ambiente político brasileiro, especialmente com a aproximação do calendário eleitoral, pode dificultar mudanças de posicionamento no curto prazo.
Durante a entrevista, ele também criticou manifestações do senador Flávio Bolsonaro (PL), que classificou como “entreguista” uma eventual negociação envolvendo os recursos minerais brasileiros. Para o especialista, discursos mais rígidos podem limitar alternativas de negociação e dificultar uma postura considerada mais pragmática na política externa.
Segundo a análise apresentada, países que alcançaram crescimento econômico utilizaram estratégias baseadas em acordos comerciais, investimentos e cooperação internacional.
Nesse cenário, Brasil e Estados Unidos poderiam buscar uma parceria voltada ao desenvolvimento da cadeia produtiva de minerais críticos, que ganharam importância diante da expansão de tecnologias como baterias, veículos elétricos e equipamentos de alta tecnologia.
*Da Agência Fonte Exclusiva








