O mercado financeiro brasileiro encerrou o último pregão de 2025 em clima de otimismo. Nesta terça-feira (30), o dólar à vista teve queda expressiva de 1,47% e fechou cotado a R$ 5,48. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), avançou 0,40%, aos 161.127 pontos.
Com o resultado, o real registrou o melhor desempenho frente à moeda americana desde 2016. Considerando a cotação Ptax — média oficial calculada pelo Banco Central — o dólar encerrou o ano a R$ 5,50, acumulando uma desvalorização de 11,14% em relação ao real ao longo de 2025. Em 2016, a queda havia sido ainda maior, de 16,54%.
O desempenho da Bolsa também foi destaque. Em 2025, o Ibovespa acumulou valorização de 33,43%, o melhor resultado em nove anos, ficando atrás apenas do avanço observado em 2016, quando o índice subiu quase 39%.
Real se destaca entre moedas emergentes
No pregão desta terça, a força do real chamou atenção até mesmo em comparação internacional. Enquanto a moeda brasileira se valorizava, o dólar avançava frente a divisas de outros países emergentes, como o peso mexicano e o peso colombiano.
Mesmo diante de um cenário externo em que o dólar ganhou força frente a uma cesta de moedas fortes — como euro, iene e libra esterlina —, o real manteve trajetória positiva, sustentado por fatores domésticos.
Dados do mercado de trabalho influenciam cenário
Os investidores acompanharam a divulgação de indicadores importantes sobre o mercado de trabalho brasileiro. A taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, o menor nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012, segundo o IBGE.
Apesar do dado positivo, números do mercado formal indicaram desaceleração. Em novembro, o Brasil criou cerca de 85,9 mil vagas com carteira assinada, de acordo com o Caged. O resultado representa queda de 19% em relação ao mesmo mês de 2024 e foi o pior desempenho para novembro desde o início da nova série, em 2020.
Impacto dos juros e fluxo de capital
A combinação de desemprego em níveis historicamente baixos e desaceleração gradual do mercado formal reforça a avaliação de que o Banco Central deve manter a taxa básica de juros elevada por mais tempo. Atualmente em 15% ao ano, a Selic segue no maior patamar desde 2006.
Esse cenário favorece estratégias de investimento conhecidas como carry trade, em que investidores captam recursos em países com juros baixos e aplicam em mercados com taxas mais elevadas, como o Brasil. A entrada desse capital ajuda a sustentar o real e impulsiona o mercado de ações.
Influência da “guerra da Ptax”
Analistas também apontam que a chamada “guerra da Ptax” contribuiu para a queda do dólar no último dia do ano. No encerramento de cada mês, empresas e investidores realizam grandes operações de compra ou venda de moeda estrangeira para influenciar a taxa média usada como referência em contratos cambiais.
Nesta terça, a Ptax fechou com queda de 1,28%, reforçando o movimento de valorização do real.
Cenário externo teve impacto limitado
O mercado também monitorou a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O documento mostrou divergências entre os membros do comitê sobre a decisão de reduzir os juros americanos em dezembro.
Apesar disso, a divulgação não provocou volatilidade relevante no mercado brasileiro, que manteve trajetória positiva até o fechamento.
Com isso, o Brasil encerra 2025 com desempenho destacado nos mercados de câmbio e ações, consolidando o melhor resultado desde 2016 e entrando em 2026 sob expectativa de ajustes graduais na economia.
*Da Agência Fonte Exclusiva








