A queda na produção de petróleo na Bacia de Campos é uma desgraça para a maior parte dos municípios petrorrentistas localizados nesta região, que estão enfrentando quedas abruptas em seus repasses de royalties do petróleo e Participação Especial.
Macaé, contudo, sobreviverá nesta região como locomotiva econômica do Norte Fluminense, graças a sua capacidade instalada.
A cidade é uma força motriz regional e os investimentos da iniciativa privada assumiram o protagonismo para chegar ao novo ciclo econômico, promovendo uma transição da produção de petróleo para a produção de energia a partir do gás natural extraído tanto na Bacia de Campos quanto do pré-sal.
Ao longo das últimas décadas, ainda que tenha vivenciado ciclos de desperdícios, é inegável que o motor da economia conduziu o destino local para um estágio em que a classe política dificilmente conseguirá fugir ao script deste novo ciclo.
Há de se destacar também um mérito para a classe política de Macaé: a sucessão de gestores municipais não promoveu a descontinuidade do roteiro.
ENTENDA O NOVO CICLO
Todo o gás extraído em alto mar passa pelo Terminal de Cabiúnas, o maior da América Latina, que está localizado na cidade. Agora a Petrobras anunciou em seu plano estratégico o projeto de construir mais uma planta em Macaé, ainda maior do que Cabiúnas. O projeto vai atender a demanda de 14 usinas termelétricas que produzirão energia a partir do gás.
Duas já estão instaladas: a UTE Mário Lago e a EDF Norte Fluminense. Mais duas já estão licenciadas, as Usinas Termelétricas Vale Azul I e II, com capacidade de gerar 660 MW por hora, através do gás processado pelo Terminal Cabiúnas.
Esses projetos farão parte do CLIMA – Complexo Logístico e Industrial de Macaé, que já registra a construção da Usina Marlim Azul. O investimento nesses empreendimentos está na ordem de R$ 3 bilhões, com impacto direto na economia local e na geração de empregos.
Quando as 14 termelétrica estiverem produzindo com toda a capacidade, estarão gerando mais energia do que a Usina Hidrelétrica de Itaipu. A titulo e comparação: Itaipu tem 14.000 MW de potência instalada, as 14 usinas termelétricas de Macaé representarão 15.000 MW de potência instalada. Uma nova região industrial está nascendo no entorno desses projetos.
A cidade também aposta firme na diversificação da economia e o turismo é uma das opções. A rede hoteleira local oferece todas as condições. Neste quesito, atualmente, só perde para a cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado.
Os hotéis que antigamente tinham 100% de ocupação para o turismo de negócios, agora já tem 30% dedicada à ocupação de turistas. Para a virada de ano em 2022, a rede hoteleira já tem reservas. O segmento absorve demandas da Região dos Lagos.
Neste momento de pandemia, milhares de turistas estão fixados na região serrana. Sana, Bicuda e Glicério, na Serra, se tornaram refúgios perfeitos para se distanciar do novo coronavírus.
Em termos imediatos, o grande desafio do município é avançar na vacinação em massa para superar os efeitos deletérios da pandemia, mas a cidade tem um fator que a distingue de muitas outras no país: Macaé sabe exatamente onde quer chegar no pós-pandemia.
Energia representa atração de indústrias, incluindo segmentos da nova economia. Mineração de cliptomoedas como Biticoin, por exemplo, depende de muita oferta de energia. Caminha a passos largos para se tornar uma potência na produção energética a todo gás.








